26 dezembro 2007

Como eu sempre digo...



Enviada pelo Vitão, por email. Tks!

22 dezembro 2007

Breve Comentário

Quem perdeu "Os Amadores", que acabou de acabar na Globo, não sabe o que perdeu.

05 dezembro 2007

16 novembro 2007

Patícia Céio Gueia Cocô Xixi

Metade das primeiras palavras que ela aprendeu eram bobeirinhas assim: cocô, xixi... Curtia tanto que as incorporou como sobrenome. Mas o lado moleca e extrovertido sempre cedia espaço para o lado que a Vó Dith batizou de "Ouriço". Era mais que "não me toques". Era fera mesmo, explosiva. Fera escondida num rosto de Anjo.



Escorpiana, canhota e estourada. Pequenas coincidências que uso pra inventar uma proximidade ou semelhança. Bobeira. Seu mundo era tão particular, seus olhos tão astutos, sua sensibilidade tão maior.

Hoje ela estaria completando 34 anos. Nos deixou há 18. É a primeira vez que tenho coragem de escrever algo, com a fraca esperança de fazer algum tipo de homenagem. O esforço é inútil, e este texto só não vai para o limbo porque a lembrança dela nunca foi tão necessária. Lembrar a Pat nunca foi tão importante.

Nunca conseguirei criar uma mínima homenagem que faça justiça. Mas eu precisava pedir essa olhadela. Daqui para ela. Dela pra gente.

04 novembro 2007

A Coisa Verdadeira

Não foi como eu havia planejado, mas terminei de ler "Eric Clapton - A Autobiografia". 400 páginas em praticamente dois dias. Acho que é um recorde pessoal. Mérito exclusivo do autor. Não dá para parar de ler.

As críticas do livro já haviam me alertado: Clapton é dolorosamente verdadeiro em seu texto. Mas eu não esperava encontrar o que encontrei. Na verdade, meu único interesse era só uma pesquisa: descobrir por outros olhos aquele momento que adoro e que chamo de Junkyage*. Acabei aprendendo bem mais do que esperava. Muito mais.

A autobiografia do Clapton tem 'n' serventias. Tem sim uma história maravilhosa que cobre praticamente toda a Junkyage*. Clapton mostra o que escutava na adolescência e como aprendeu a tocar guitarra. Conta como detestava os Beatles e toda aquela mania inglesa de só ter olhos e ouvidos para um único estilo - ou um único artista. Saído de Ripley, pobre e descobrindo seu rumo a cada dia, teve uma sorte "dos infernos" de achar e conviver com todo mundo que tinha um mínimo de relevância na época.

Por exemplo, ele estava no Speakeasy, um pub, quando Paul, George, Ringo e John chegaram com o acetato de um disco que tinham acabado de gravar e mixar. O bar tinha um DJ e todos estavam cheios de ácido (STP - cujo efeito dura uns 3 dias). Paul, viajando, deu o disco para o DJ. Foi a primeira execução pública de "Sgt Peppers". Apesar do estado de chapação, ou por causa dele, todos viram que nascia ali um novo Beatles.

Clapton parece um tipo de Forrest Gump. Testemunhou ou participou ativamente de praticamente todos os eventos relevantes dos últimos 50 anos. Fazia um show em Boston, em 4 de abril de 67 - dia do assassinato de Martin Luther King. No teatro em frente tinha um show de James Brown. Os EUA fervilhavam e aquela noite foi de uma quebradeira danada em Boston. Clapton e seus colegas do Cream, Jack Bruce e Ginger Baker, tiveram que fugir pelos fundos do teatro.

Não vou fazer um resumão do livro. Queria apenas ilustrar o fator "run Forrest" e a importância do livro na documentação de uma época - a época mais criativa do século XX. E não estou falando só de música. Longe disso. Clapton estudou design. Era ligado em literatura, teatro (adorava um peça de Harold Pinter, "Caretaker", de 59), cinema (italiano e francês!) e moda! Foi ele quem desenhou o modelito 'mod' que os Yardbirds utilizavam (terninho moderno com lapelas curtas e abotoado até em cima).

Mas, como eu disse, o livro tem outras 'serventias'. Clapton é realmente de uma sinceridade raríssima entre famosos. Coitados, mas não deixei de pensar no quanto Roberto Carlos, Xuxa e afins se apequenam ao tentar esconder seu passado. EC virou um gigante ao escrever sua autobiografia. Não como artista, que eu já admirava, mas como pessoa.

Ele não poupa detalhes na descrição de seus vícios e das incríveis lutas que travou para livrar-se deles. Mas o faz sem melodramas ou rodeios. É cru e direto. A leitura vira um turbilhão de emoções. Numa página você chora. Na seguinte, ri por alguns minutos. Ri de verdade, não de nervoso. Por exemplo, num trecho ele acaba de narrar uma ralação danada com drogas. Aí, por um motivo qualquer, se encontra com Keith Moon, baterista do Who. E conclui que ele era "fichinha" perto da loucura de consumo que era o Keith.

A vida de Clapton é marcada por tantas desgraças, sendo a mais famosa a perda do filha Conor, que é praticamente tudo o que um sujeito como eu sabe dele. Engana-se quem acha que o livro é um tipo de expiação. É uma reflexão de fato, feita por um senhor de 62 anos de idade que se descobriu depois de velho. É uma história de vida rica demais. Então vai uma dica estranha do BlueNoir: você curte livros de auto-ajuda? Vai adorar também o livro de EC. Não estou brincando nem tirando sarro.

Aos que querem só a música outra dica: municie-se. Se você não conhece, é uma excelente oportunidade para descobrir Stephen Stills (Buffallo Springfield e CSN&Y), Duane Allman (Allman Brothers), J.J. Cale, George Harrison e, claro, todos os grandes do Blues, de Robert Johnson até Robert Cray. Clapton presta um belo tributo a todos, relembrando-os com sinceridade e a merecida reverência. A história dele com George Harrison é a história de uma amizade impressionante. Quem conhece só a famosa "traição" (Layla!), não sabe 1% do ocorrido.



O título deste post tem duplo sentido. Chato é ter que explicar um título. Sou chato, estou acostumado. O primeiro, óbvio, é a sinceridade do livro. O outro aparece em vários momentos do texto. A "coisa verdadeira" marca a boa música, a música honesta. Clapton não gostava dos primeiros Beatles e de todas as suas cópias porque elas não eram sinceras. Clapton não gostava do Led Zeppelin porque eles não eram justos com os blueseiros que lhes forneceram matéria prima para seus primeiros sucessos. Clapton aprendeu com seus pais (na verdade avós) a valorizar só a "coisa verdadeira". Por isso vai direto ao ponto:

"A cena musical como a vejo hoje é pouco diferente de quando eu estava crescendo. Os percentuais são aproximadamente os mesmos: 95% de lixo e 5% puro. Contudo, os sistemas de marketing e distribuição estão no meio de uma enorme guinada, e por volta do final desta década creio ser improvável que qualquer uma das atuais gravadoras ainda esteja no negócio. Com todo respeito a todos os envolvidos, isso não seria uma grande perda. A música sempre vai achar um caminho até nós, com ou sem negócios, política, religião ou qualquer outra baboseira ligada a ela. A música sobrevive a tudo e, como Deus, está sempre presente. Não precisa de ajuda, e não é obstruída. Ela sempre me encontrou e, com a benção e permissão de Deus, sempre haverá de me encontrar."


A autobiografia de Clapton é um documento valiosíssimo. Ao contrário do que imaginei, não é um livro para poucos. Não vejo outra forma de encerrar este post: Clapton, muito obrigado.

02 novembro 2007

Uma Viagem dentro da Viagem...

... dentro d'outra viagem. Ao contrário do que 'prometi' para alguns amigos, não consegui ler toda a autobiografia do Clapton na viagem que comecei na última terça. O dia da promessa era o terceiro e penúltimo de uma seqüência de cervejada. Na segunda eu era uma múmia-ressacada. O máximo que consegui foi comprar as passagens e dar um jeito no cabelo e na barbicha. Na terça, 8 da matina, entrei no ônibus carregando a ressaca da ressaca. Impossível tentar ler qualquer coisa.

Mas eu tinha outra boa desculpa: era um roteiro inédito. Há tempos tenho uma mania. Roteiros inéditos devem ser mapeados. Evito até mesmo ligar meu sonzinho. Mapeamento completo é assim. Merece atenção total. E dá uma certa dor no pescoço, porque não desgrudo os olhos da janela. O roteiro: Vga - Poços - Campinas - Bauru. Tudo de buzão. O roteiro durou 14 horas (contando as 3 horas e tanto de 'castigo' em Campinas).

O trechinho em Minas já era conhecido. Mas fazia muito tempo que não via aquele trecho da represa. O estado deplorável da estrada irrita. A água acalma. Na troca de ônibus, em Alfenas, pensei ter perdido meu Zippo-xodó. Só descobri na madrugada de hoje que ele estava perdido em terreno conhecido, meu porão.

Poços irrita tanto quanto a estrada ruim. Uma cidade tão 'marketeira' não pode ter aquele lixo de rodoviária, com aquele lixo de lanchonete. Uma cidade tão 'bonitinha' não merece ônibus cruzando toda a cidade. Sei lá se existe solução, mas não deixa de ser um lixo irritante. Irritação vira susto na forma como o motorista desce a serra de Andradas. Ela lembra um pouquinho aquelas descidas para as praias paulistas. É breve, mas dá frios na barriga. Mas é muito bonita também. Mais que a cidade que nos aguarda lá embaixo. Andradas é uma decepção. Em tamanho, força e estilo. E aquele papo todo de vinho não cola nem aqui nem na China. Pena.

Troca-se de estado, troca-se de estrada. Era para ser a mesma, mas em São Paulo estamos isentos de buracos. A paisagem também vai mudando, gradualmente. As culturas mudam. E belas florestas de eucalipto novo, magricelo, intercalam plantações de cana e laranja. É a primeira vez que passo ao lado daquela fábrica de papel sem sentir náuseas. Aliás, não senti cheiro algum. Só não sei se era sintoma da ressaca ou alguma atitude ecologicamente correta da fábrica. Mogi, Mogi, Campinas. A feiúra se instala. É raro ver algo minimamente agradável. Campinas deu errado e ainda não sabe. Pena.

As três horas de castigo ali, em outro lixo de rodoviária, merecem um único adjetivo: Inferno! O calor era insuportável. O movimento modorrento e o sabor de quase tudo vendido ali idem. A salvação só se mostrava possível quando uma bela menina surgia do nada, indo pra lugar nenhum. A única coisa boa daquele calor é o quanto ele revela das belas meninas. Não falo só das partes do corpo, mas dos gestos e artifícios para driblar o calor. Percebe-se o charme d'uma moça pela forma como ela dribla o calor. Algumas são docemente desajeitadas. Outras, verdadeiras damas. Todas ali pareciam estudar alguma coisa enquanto eu, sem disfaçar, as estudava. O calorão se confundiu com o mal estar da ressaca e com o calor que vinha delas. E o relógio não andava. Ia para uma lan-house só para aproveitar um pouco do condicionador de ar. Não queria ler emails. Mas, quando voltava para o inferno, via que aquela beldade tomara seu rumo. Sorte que logo aparecia outra. E outra.

Até que o buzão final apareceu. Agora sim, um roteiro 100% inédito: Campinas - Bauru. Eu tinha só mais 1 hora com a luz do sol, mas tudo bem. Logo que Campinas acaba, acaba também a feiúra. Americana, Limeira... uma sucessão de visões muito agradáveis. Tem um haras ali, do lado direito (sempre viajo na 11), que parece saído d'um cartão postal canadense. O senso estético desse povo é incrível. E esquece o 'canadense' ali em cima. Sempre tem um 'q' de originalidade, de tupiniquim. Melhor dizendo: de São Paulo - estado. A riqueza exala. E acabo de temer que meu texto seja visto como um tipo de manifesto elitista. Sei lá, mas beleza e bom gosto não são necessariamente caros. Quem me conhece me entende.

E o sol se vai. Nada marcante. Só me deixa triste porque ainda tenho 3 horas pela frente. Na penumbra. E num silêncio que raramente ocorre em ônibus que circulam Minas. Acho que tava todo mundo cansado, depois de um dia de trampo e calor insuportável. Mas nem roncos apareciam. Jaú apareceu. Uma curiosidade que tenho desde o dia que descobri que a Luciana Vendramini é de lá. Como será Jaú? Não sei, não vi nada. Só um riozinho com o mesmo nome.

De repente, um rio imenso. Uai, será que aquele riozinho cresce assim tão rápido? Não, para minha surpresa era o Tietê. Não deu pra ver quase nada. Pequenas luzes em ambas as margens, e uma longa ponte sobre ele. Caramba, é o mesmo Tietê? Coloquei na agenda mental: quando eu voltar, em dois dias, preciso vê-lo direito.

Minha passagem por Bauru será registrada em outro canto, outro momento. Aqui só vale dizer que é um cidadão. Bonita, simpática e com gente simpática. Estranhei a ausência de um sotaque forte. Pensei que veria algo tipo Piracicaba ou Sorocaba. Que nada. Fiquei num hotel bem próximo da Vitória Régia. Fiz poucas caminhadas por ali, e vi um boteco legal atrás d'outro. Lembrei da ressaca e segurei a vontade de conhecer o chopp Brahma de lá. Aprendi depois que aquele avenidão bonito, a Nações Unidas, tá em cima d'um córrego. Que um dia aquilo tudo estourou. Pequenas histórias marcantes que toda cidade tem. Bauru tem alguma coisa a mais. E uma dúvida: o que ela quer ser? Um professor me ensinou que ela é um grande 'hub' - um entroncamento. Tem até porto seco (como Vga)! Mas acho que Bauru ainda não sabe o que pode ser. Ou quer.

Dois dias depois, o retorno. Bauru, como Poços, merece uma rodoviária melhor. Aliás, acho que todas as cidades merecem rodoviárias mais decentes. Só Sampa (terminal Tietê) se salva. O resto parece homenagem ao mau gosto. E são muito mal tratadas. Lixos - não tenho outra palavra.

Ansiedade: tenho que ver o Tietê. Antes confirmo que Pederneiras, coladinha em Bauru, parece um subúrbio mal tratado. Aliás, dois trechos muito ricos são intercalados por trechos mal tratados. Aquela parte de Bauru, Araraquara, São Carlos, Brotas (estranha no triângulo) é muito jóia. Aí vem Rio Claro e outras estranhas. Aí vem Limeira e Americana. O roteiro merecia um fim melhor que Campinas. Mas antes de tudo veio Jaú. E veio o rio Tietê!

Ainda pagarei caro por isso mas tenho que confessar: chorei. Assim, do nada. Chorei ao ver o rio. Caramba, aquela merdinha cheia de merda que cruza uma parte muito feia de Sampa não pode virar esse negócio tão bonitão, tão vivo. Coisa de babaca, eu sei, mas chorei ao ver o rio Tietê. Queria que o ônibus parasse ali um pouquinho. Por dois minutos, pelo menos. Queria fotografá-lo. Não foi a primeira vez que um rio me fez chorar. Em 2001 conheci a nascente do Rio Verde.



Outra titica que fica grande. Mas não é nem 1/3 do Tietê. Em tamanho. Em surpresa. Afinal, lá em Itanhandu, o Verde é puro. O Tietê, por outro lado, nasce praticamente nos esgotos de Sampa. Mas ali, perto de Jaú, logo que a ponte acaba pinta uma ponta de decepção. Quem foi o idiota que teve a idéia de plantar monótonos pés de cana tão pertinho da margem dele? Nem tô com preocupações ecológicas não. Só estéticas mesmo. O Tietê merece florestas virgens de ponta a ponta. Com árvores bem altas e intransponíveis. Sei que já existem diversas obras que homenageiam o rio. Mas acho nenhuma ainda fez 100% de justiça. Pensa na metáfora: nasce na merda. Nasce pertinho do mar. Mas corre para o lado errado. Erra a vida inteira. Mas chega bonitão no final dela. Para morrer no Paraná. O Chico devia conhecer o Tietê. Os Cowboys Junkies (que já fizeram a Trilogia do Rio) também.

Que tristeza. Termina o trecho inédito e Campinas aparece de novo. O prêmio é um toró fenomenal que cai por ali. Vi há pouco que o toró fez vítimas. Mas, naquele momento - naquela bosta de rodoviária, era um alívio. Um breve sinal de que São Pedro existe e é justo até com os poucos justos.

Entro no penúltimo ônibus sacando da mala "Eric Clapton - Autobiografia". É a primeira que leio uma em toda a minha vida. Sempre fujo desse tipo de papo. Mas o Clapton dispensou 'ghost writers' e afins. Falaram que Clapton foi dolorosamente honesto. Como Clapton é um total mistério, mergulhei no livro. Este post era para ser sobre ele... a outra viagem dentro da viagem. Mas não vou misturar viagens. Inté.

10 outubro 2007

O Dia em que uma Crítica me Pegou

Relembrei hoje: aconteceu no dia 24 de abril de 1989. Devia ser uma típica segundona, aquele mashup de ressaca com preguiça. Meu pai assinava O Globo e eu surrupiava o Segundo Caderno. Ele era especial nas segundonas, porque tinha uma coluna chamada "Discolândia".

(Não me pergunte como peguei a imagem acima. Você não acreditaria.)

O primeiro parágrafo do artigo da Ana Maria Bahiana funcionou como litros de café. Não acreditei no que li. E reli. E li de novo. Leia:

São duas e meia da madrugada. Choveu. Ao longe você ouve, às vezes, o chiado rouco de um carro sobre o asfalto molhado. A TV, sem som, passa um filme que era novidade quando seu avô estava no ginásio. O resto do mundo é uma possibilidade distante, meio anestesiada; a metade diurna da sua vida, a pessoa normal que você é, arquivada em alguma outra gaveta, algum outro tempo. Você não está triste, você não está feliz, você não está nenhuma dessas coisas corriqueiras. Existem apenas pianos, lembranças, reflexões, tão reais que você pode, se realmente quiser, tocá-los com as pontas dos dedos, em algum lugar no betume negro da madrugada.

Esse é o disco dos Cowboy Junkies.


Foi a primeira e única vez que comprei um disco por causa da crítica. Eu só ouvia "rock pauleira" na época. Mas não quis saber qual era o estilo dos Junkies. Simplesmente queria experimentar aquele sentimento daquele parágrafo da Ana Maria. Ela não errou nem 1 milímetro. Nem uma gotinha. Virei fã d'uma crítica, e adorei até o seu parcial Almanaque dos Anos 70.

Há tempos eu tentava recuperar a crítica acima. Consegui hoje, graças aO Globo. No restante do artigo, Ana Maria detalha o disco e seu processo de construção. É o "Trinity Sessions", lançado lá fora em 88. Sua produção custou US$ 200 (duzentos dólares!). Foi gravado ao vivo numa igrejinha do Canadá (Trinity), num único dia (tinha que ser 27/nov/87). Três versões de cada música, tudo acústico e capturado por um único microfone "overall".

Ana não conta, mas a primeira reação dos 3 irmãos que formam a banda, tão logo encerrada a gravação, foi correr para o colo da mãe. Levaram um "copião" para escutar com ela. Após os 52'59" a mãe Junkie exclamou: "Parece meu neto".

Anos depois, Oliver Stone surrupiou a versão que eles fizeram para "Sweet Jane", do Velvet Underground, e a colocou para contrabalancear com as poças de sangue de "Assassinos por Natureza". Foi o único momento em que os Junkies ganharam um 'arzinho' pop e um pouco de divulgação. Nos outros vinte e poucos anos da banda, a segurança d'um culto fiel. Tenho todos os discos deles, uns 16 oficiais e quase uma dezena de não-católicos. Tudo culpa da crítica da Ana Maria.

Mas, todos os fãs concordam, a mágica Sessão de Trinity nunca mais se repetiu. Claro, obras-primas não se replicam nem reproduzem. São fatalmente únicas. Mas os Junkies são teimosos. E vão lançar em poucos dias um novo "Trinity Sessions". Estão comemorando os 20 anos do "filhinho". E resolveram fazer tudo de novo. Desta vez, com vídeo também. Falaram que nem ensaiaram nem nada. Mas também não tinham a intenção de repetir, nota por nota, a viagem de 2 décadas atrás. O peso da idade deve se refletir no novo disco. Como? Também estou curioso.

E a Ana Maria, que tento contactar em vão há uns 3 anos, será que também ficaria curiosa? Será que aquela madrugada se repetiria?

São exatamente 18h12, e meu porão ficou escuro d'uma vez. Está tocando "Dreaming my Dreams with You". E a Ana não errou um milímetro sequer...

02 outubro 2007

Blade Runner: Enfim!

Lá no início do BlueNoir eu planejei uma série de 100 posts sobre Blade Runner. Parei no segundo. Não porque seria "nerd"emais, mas desanimei quando li que a chance do lançamento de um versão definitiva do filme era mínima. Qual não foi minha surpresa quando, tropeçando (literalmente), descobri via Wired que finalmente será lançado "Blade Runner - The Final Cut".

Ridley Scott finalmente conseguiu finalizar sua obra prima. 25 anos depois. E em altíssimo estilo. O filme será relançado nos cinemas, agora em outubro (lá nos EUA). Em dezembro sai a caixa com 5 (!!!!!) DVD's. Todas as versões estarão lá, inclusive a remendada versão original (de 1982). Terá também o "Director's Cut" de 1992. Céus... custará o olho da cara. Mas meu presente de final de ano já está escolhido.

Ridley é um arquiteto chato e perfeccionista. A entrevista que ele deu para a Wired é meio chatinha (e tem 5 páginas). Mas tem revelações maravilhosas. Exemplo? Ridley nunca leu "Do the Androids Dream of Electric Sheep?", do PKD (Philip K. Dick). Fala que na página 32 já existem 17 "histórias". Que o livro seria uma péssima influência para o livro... Pode?

Agora tomei coragem para retomar meu projeto de 100 comentários. Antes (da caixa), acho que vou reler "Do the Androids..." (versão pocket). Aguardem posts doidões...

Free Burma (Myanmar)


Free Burma!

21 setembro 2007

The Saddest Song

by Mark Sandman

On my first day back my first day back in town
My first day my first day back in town
The clouds up above they were humming our song
Humming humming our song

My biggest fear is if I let you go
You'll come and get me in my sleep
My biggest fear is if I let you go
You'll come and get me in my sleep
Come and get me

I set my course sailed away from shore
Steady steady as she goes
I crash in the night two worlds collide
But when two worlds collide no one
survives no one survives and
The reddest of reds the bluest of blues
The saddest of songs I'll sing for you and

My biggest fear is if I let you go
You'll come and get me in my sleep
My biggest fear is if I let you go
You'll come and get me in my sleep
Come and get me come and get me in my sleep



Ah.. os sonhos/pesadelos que nos perseguem... só porque um dia eles escaparam.

Já tem 8 anos que o Sandman morreu. Ataque cardíaco fulminante. No palco. Deixou 5 discos oficiais pelo Morphine. Outros poucos pela igualmente ótima "Treat Her Right". No Morphine cantava e tocava baixo. Um baixo de 2 cordas! Uma das melhores bandas de rock da última década não tinha guitarra. Quanta contradição.

Sandman era um beatnik tardio.. nasceu com uns 20 ou 30 anos de atraso. Merecia ter vivido a era de ouro. Deu o azar de viver os 80's e 90's. Mas não se sentiu deslocado. Quem tem talento cria seu espaço. "O criativo cria a si mesmo".

Sandman: "Quando eu era uma criança pequena em Newton (Massachusetts), as pessoas diziam que eu seria poeta quando eu crescesse. Caramba... que tipo de criança ouve esse tipo de coisa?"

18 setembro 2007

O Dia dos Mortos-Vivos

Tá agendado: será no próximo 26 de novembro, uma segundona. Porque toda segunda é dia internacional dos mortos-vivos (e da preguiça e da ressaca). Na última segunda do penúltimo mês de 2007 acontecerá um pequeno show-tributo para Ahmet Ertegun - desculpa para arrecadar uns trocados para sua fundação.

Bill Wyman (ex-Stones), Pete (Who) e Foreigner (vish10x! morto-vivo é isso aí!) estarão no pedaço. Cast que chamaria uns 5 mil curiosos, se muito. Acontece que colocaram na cabeça do evento uma bandinha que morreu em 1980. Um grupinho que, depois do falecimento, só se reuniu 2 vezes, em 85 e 88. Uma grupo que lançou só 11 discos oficiais (e 111 piratas!). A bandinha, que todo poppunknerdmoderno adora detestar, atende pelo nada singelo pseudônimo de Balão de Chumbo, vulgo Led Zep.



Semana passada anunciaram o evento e, de repente, a página do evento recebeu 120 milhões de hits! 25 milhões de zumbis se inscreveram, com uma vontade danada de pagar cerca de R$300 pelo show. O mundo pop, que tenta ter explicação para tudo, não explica o fenômeno Led Zep. Quem acha que são 25 milhões de quarentões, cinquentões e sexygenários pode até estar certo. Mas eu acho que mais da metade dos 25 milhões de zumbis não havia nascido quando o Bonzo partiu dessa para uma bem melhor. Essa turminha já pôde ver o maravilhoso DVD lançado em 2003. Os mais fanáticos já viram e ouviram centenas de gravações não oficiais. Mas zumbi que presta sabe que rock é rock mesmo ao vivo, no palco. Eis que, do nada, o Zeppelin de Chumbo parte para outro vôo desgovernado.

A gente sabe que o vôo não chegará nem perto daquele em Earl's Court, 75. Será igualmente distante dos shows da turnê americana de 72/73. "Foda-se", gritariam zumbis numa só voz... hehe..

03 setembro 2007

Cegueiras

"Se podes olhar, vê.
Se podes ver, repara."

É oficial. O Fernando Meirelles, um dos diretores de "Cidade de Deus", está realmente filmando o "Ensaio sobre a Cegueira", de José Saramago. Salvo engano, é o primeiro Saramago a encarar a telona. Meirelles abriu um blog para documentar o projeto.

Reparou o último link? Blindness... por razõe$ bem conhecida$, o filme será em inglês. Diretor brazuca, trampando com livro publicado originalmente me português... e o filme em inglês. Fico meio triste, mas isso não vai detonar minha vontade de ver a obra. Os atores escalados são muito bons: Gael García Bernal, Juliane Moore, Mark Ruffalo e Danny Glover (!) já estão confirmados. Tirando o Glover (quem não se lembra, é o parceiro do Mel Gibson em Máquina Mortífera), todos os outros são meio "especialistas" em filmes difíceis. Juliane fez "Magnólia". Gael é o favorito dos diretores latinos ("Diários de Motocicleta", "Amores Brutos", "Babel"...). Mark fez o filme pesadão da Meg Ryan ("In the Cut"?) e virou coadjuvante de luxo em blockbusters como "Colateral". Pesadão...

Foto surrupiada de Jim Skea.

"Ensaio sobre a Cegueira" é um dos livros mais "pesados" que já li. História forte, bem amarrada, que no estilo Saramago de escrever nos deixa sem ar. Talvez este seja o grande desafio do Meirelles, que já confessa no blog seu "frio na barriga". O livro tem um ritmo crescente e constante. Quem acha que é fácil esse tipo de transposição, basta ver a porcaria que fizeram com o "Código Da Vinci". Mas não tem nada a ver... o "Ensaio..." não tem ação. Não do tipo 'popular'. Mas é carregado de tensão. Imagina.. de repente, fica todo mundo cego. Você só precisa saber disso.

Lógico, se fosse você eu trataria de ler logo o livro.

24 agosto 2007

Ponto Morto

Tem mais de ano. É sempre a mesma solução. Ligo a máquina, acompanhado d'uma xícara de café e de um Marlboro. Só tem dois "to-dos" na agenda: quero a tarde livre (todas as tardes das sextas eram livres para meu velho). Bate-volta pra Sampa, um futebol bem corrido na noite de ontem. Te deixa meio "comfortably numb", o que aqui em Minas a gente chama de "desnarpado". Na frente da máquina (o computador), minha primeira coisa é escolher a "trilha sonora". Por isso eu falei de "solução" na 2ª frase deste parágrafo meio "desnarpado".

A mesma solução? Qual o problema? Escolher uma trilha para uma sexta "desnarpada". Dezenas de milhares de sons, mais de mil bandas e estilos diferentes. Mas, como eu disse, tem mais de ano que a solução é a mesmíssima: Mojave 3.

Mais precisamente, o disco "Excuses for Travellers", de 2000. Foi o disco que me apresentou a banda, que é inglesa e tem outros 4 trabalhos. Nenhum tem o poder de "forro para um dia desnarpado" do "Excuses..." Ok, a banda é inglesa e dos anos 90. Mas não tem nada a ver com os modelitos que imperam na terra da rainha. Passa longe do papo-cabeça Radiohead (ufa!), do pop reciclado do Coldplay, da estridência de Oasis e Stereophonics. Mais importante, também fica muito distante das fôrmas oitentistas tipo Smiths, Cure, New Order e U2. Ah, também não tem nada a ver com outra banda que curto, o Doves. Ou seja, a rainha conseguiu parir uns súditos meio diferentes.

Mas o som dos caras não tem nada de muito original não. Para um desafisado, parece som da minha querida (e esquecida) Junkyage* - 60's - 70's (pré-lixo a.k.a. pré-punk). Traduzindo: baseia-se em violão, guitarras cruas, slide guitars, pianinho, um gaitinha aqui e uns instrumentos estranhos ali (outros sopros). Vocal preguiçoso, mas bem longe de Luna ou Lou. É preguiçoso mas tem "cola". E as harmonias são bonitas demais. Belas e simples.

O melhor media player do mundo, o Amarok (pronuncia-se "AmA Rok" - haha!, tem uma característica que se chama "mood". Tipo assim: pega o som que você tá escutando e tenta adivinhar seu "estado de espírito". Aí encaixam bobeirinhas tipo: tá triste, tá alegre, tá excitado, tá desesperado! Seria um recurso legal se fosse sacana. Por exemplo: o cara tá escutando "Triste Bahia", do Caetano. Mood: ou o cara tá morto ou tá pra lá de bêbado! hehe..

Então, na sequência sacana, tinha que ter o mood "desnarpado". Para o entendimento dos iletrados, pode chamar de "ponto morto" (ou "idle"). A sensação... como descrever a sensação. Talvez assim:

Você tá num carrão 60 (Mustang ou algo do tipo), e pega um "longo trecho em declive". De forma um tanto irresponsável, você engata o "ponto morto"... arreganha as janelas, sente o cheiro dos eucaliptos e o frio agradável do morro. Pena que não dá pra fechar os olhos... Taí o mood "desnarpado". E se, lá embaixo, tiver uma bela praia ou vale, algo cheio d'água, é sinal que o disco tá acabando. Começou "Bringin' Me Home", a única com o vocal da Rachel Goswell. A viagem sem desculpas (por que é feita sem culpa), termina com "Got my Sunshine".

Sacou o solão que tá lá fora hoje? Que bela e desnarpada sexta!

07 agosto 2007

Cinema Cabeça

Com poucas horas de diferença deixaram a vida terrena dois "gênios" do cinema: Bergman e Antonioni. Até o último domingo tentei ler tudo que publicaram sobre os dois. Do "Mais" da Folha até o Agamenon do Globo. Dois extremos e um denominador comum: o papo-cabeça, também conhecido como "espanta mortais normais".

Há muito tempo, no tempo da locadora "7ª Arte" lá pelos lados da rodoviária, eu vi algumas coisas do Bergman. Não me pegou. Mas também não espantou. Só questão de gosto mesmo. Por exemplo, aprendi por vias tortas que dá pra discutir temas semelhantes vendo uma certa safra do Woody Allen. Woody seria um Bergman para preguiçosos... hehe. Perdão: é tão falso quanto conhecer um livro pelo filme. Você deprecia o original. No próximo inverno, se as locadoras de Varginha deixarem, eu prometo que assisto uns 3 Bergman. Fila: Sétimo Selo, Morangos Silvestres e Fanny & Alexander. Só o último, de 82, eu já vi. Mas não tenho condições de apreciar.

Já de uma parte da obra do Antonioni eu posso falar. A parte que eu chamo de Trilogia do Ácido. Trilogias estão na moda, não? Então, Antonioni fez, entre 66 e 75, uma Trilogia. Sem querer. Tanto que ela não tem rótulo. Alguns podem falar em trilogia do "still haven't found what i'm looking for" (ou trilogia da busca infrutífera). Outros vão falar da trilogia "terra estranha". Estranho numa terra estranha é nome d'outro clássico. Mas também combina com essa safra do Michelangelo.

Saca só o início: Adaptação de um conto argentino (Cortazar), situando-o na Swinging London - a Londres festiva de 1966. O diretor, reparem, é italiano da gema - de Ferrara. Beatles já era Beatles. Stones era droga pura, ou seja, Stones. Mas, para a trilha sonora, Michelangelo convocou um pianista estadunidense: Herbie Hancock, na flor da idade e da criatividade. Herbie sabia o que tava acontecendo em Londres? Lhufas... Para decorar o cenário Antonioni convocou uma bandinha cult, os Yardbirds. Tem Jeff Beck (despedaçando uma guitarra) e Jimmy Page com cara de carrocho que caiu da mudança. "Blow Up" é pop puro! É cultura global antes da invenção da globalização. E é uma busca.

Colaram um papo cabeça na tal da busca. Muitos se chateiam porque "o filme não tem fim". Parece que todo filme-cabeça não tem fim. E fim, para todos letrados em folhetins globais, é item obrigatório! Como aceitar então um filme sem pé nem cabeça? Preconceito... preguiça. Você encontra tudo que busca? E se a apreciação da busca for tudo o que interessa? Mas não vou chateá-los com questões "cabeça".

Liberto da Itália de Visconti e Fellini (hahaha), Antonioni pulou de Londres direto para o vale da morte nos Estados Unidos. "Zabriskie Point" fala (sem dizer) da contra-cultura no novo mundo. Os EUA explodiam com seus hippies, panteras negras, vietnans e tantans. Antonioni colocou Morrison, Janis ou Hendrix na trilha? Não. Na mesma contramão que levou Herbie para o Reino Unido, trouxe Pink Floyd para terras apaches. Outra busca, agora não tão solitária. Outra busca sem fim.

A Bota que atrai é a mesma que chuta. Michelangelo então cai na África e na Espanha. Leva na mochila uma mega-estrela californiana, Jack Nicholson. Joga-o não só numa busca, mas também em um esconderijo. Outra pessoa. Outra vida. Surrupiada d'um defunto. Aqui a trilha é o silêncio. E um tiro. Aqui Michelangelo fecha uma trilogia não programada - que só existe na cabeça d'uns loucos (como este que vos escreve). Aqui (no Brasil), a obra deixou de ser "The Passenger" para virar "Profissão: Repórter". Não é por acaso que o Kubrick, outro saudoso, cuidava inclusive da tradução dos títulos de suas obras. Nevermind... O Passageiro passou... em 75.

Qual foi a pergunta mais comum dos passageiros (repórteres) tupiniquins? O "cinema cabeça" morreu com a morte de Bergman e Antonioni? Hehe... Rio chorando. Quem rotula morre de medo que os rótulos morram. A segunda pergunta? Quem os substitui hoje? Hehe... busca de sobrevida para rótulos. Quem faz esse tipo de pergunta deveria se perguntar: sou substituível? Para quem?

A gente passa. Algumas idéias e obras ficam. As de Antonioni e Bergman estão aí... e ficarão por tempo indeterminado. Curta-as. Não esquenta com o papo cabeça.

25 julho 2007

Scratch #088



I saw your shoes by the kitchen door and I knew I missed you
I saw your shoes by the front door and I began to miss you more
I saw your shoes on the landing and Lord I knew I cared
I saw your shoes pretty baby and I longed to have you there

I saw your shoes by the record player and I wished you'd call me
I saw your shoes by the TV set I prayed you'd call
I saw your shoes by the couch and I longed to feel your touch, babe
I saw your shoes pretty baby and I had to have you there

I see your shoes by the shower stall and I begin to wondering
I see your shoes by the bedroom door and my heart starts pounding
I see your shoes at the foot of the bed and I start laughing
I see your shoes, pretty baby, but most of all I see you


.:.

Foto de MMcDonnell (Flickr).
Poesia dos Cowboy Junkies.

18 julho 2007

Ano XX

18/jul/1987.
Caiu num sábado.
Não estava tão frio quanto hoje.
Mas foi tão ruim e estranho quanto.
Dias ruins rolam morosos, custam a acabar.
Aquele 18/7 só acabou lá pelas 5 da matina do domingo,
numa mistura de ressaca trôpega,
lucidez bêbada
e vergonha estúpida.
Utilizou um camarote para ilustrar e acomodar seu fundo de poço.
Sua poça de fossa.

Aquele sábado começou na sexta.
Festa pequena e pobre.
A única luz veio da primeira audição de "The Joshua Tree"
Verdade profetizada na 3ª faixa
"I can't live... with or without you"
Mentira que completa 20 anos - todos vivem.
Com ou sem, qualquer um sobrevive.
Não sem marcas - mas vive.
Não sem sonhos - mas sobrevive.

Decretou por tantas vezes o fim da história.
Mas não deixa de comemorar o 20º aniversário.
Daquele caso de 48 dias.
Que terminou num sábado, 18/7/87.
Que terminou antes de começar.
E terminou tantas outras vezes
Com personagens iguais e diferentes.
Fim de mentira:
"I still haven't found what i'm looking for..."

Deveria ter terminado de verdade no 5º ou sexto fim.
No seqüestro combinado - naquela história não escrita.
Não sabe explicar o abandono do plano.
Não consegue entender aquele acordo.
Nem todos os sorrisos que seguiram.
Ou os pesadelos que prosseguiram.
Não convencem os fins das histórias mal contadas.
O que torna uma história mal acabada?

Num dia tão triste
Talvez só exista uma explicação: egoísmo.

13 julho 2007

Reforma, metamorfose e desmemoriação

Por Jorge Olímpio Bento

A BOLA, 12.07.2007

Lisboa




Decidi ser pós-moderno e neoliberal. Ora isto implica não ter passado, esquecê-lo e recusá-lo. Não existem, portanto, nunca existiram, a casa pobre onde nasci, a aldeia ignota donde vim, o país de fome e miséria, opressão e escuridão em que cresci, a dura escola das letras e da vida que frequentei, os princípios e valores em que me criei, os ideais que acalentei, as lutas em que participei, as conquistas que testemunhei, os progressos de que beneficiei, o contexto cívico e ético em que me formei, a Universidade à qual me entreguei.

Sou reforma e metamorfose. Fica para trás, desmentido e desfeito, tudo o que acumulei, defendi e pratiquei ao longo dos anos. Tudo passou e está fora de moda: os ensinamentos dos livros, a história e a filosofia, a memória e a esperança, o direito e a política, as diferenças ideológicas e programáticas dos partidos, as convicções e utopias, os gritos de revolta e liberdade, as canções românticas. Estou a deitar tudo fora.

Tudo isso me apouca, aprisiona, incomoda e persegue. É um espelho de imagens que me desafia e agride a consciência e faz a vida difícil. Exige coerência, persistência, esforço e empenhamento e torna-me cúmplice da injustiça à solta. Eu não suporto isso. Quero mudar de rumo, não ter face nem identidade; embarcar na onda do deleite, do oportunismo, cinzentismo e comodismo. Trocar o apego à firmeza e defesa da verdade pela adesão à fluidez das conveniências. Quero estar do lado donde sopram os ventos e não encarar o monte de lembranças inquietantes e de compromissos assumidos nesta caminhada longa e grisalha. Uma a uma, quero apagar as imagens dos sítios por onde andei, as missões e causas que abracei. Não tenho espaço para tanto arquivo. Detesto o Outono e Inverno; quero viver sempre entre a Primavera e o Verão.

Também quero esquecer a cidade, as praças e casas, até porque já não existem de facto, demolidas que foram para dar lugar a bancos e outros templos do mercado e finança. Vou riscar da memória os cinemas, cafés, teatros, igrejas, clubes, campos de jogos e demais centros de convívio e tertúlia e, no seu lugar, registar as construções, estruturas e entidades que hoje esbravejam para povoar todo o espaço que nos separa do céu e para impor deuses superiores aos que foram meus.

Não retenho nada da infância; arranco molduras penduradas na parede do tempo. Não são mais quadros merecedores do meu apreço. Olho para trás e entranha-se em mim a sensação de estranheza em relação ao emaranhado de sentimentos que me levavam a pensar nos outros e a conter a indiferença, o individualismo e egoísmo. Morra o bem público e viva o interesse privado!

Agora que nenhum edifício resta na memória, eu não sei dizer o que sou e se existo, já que não me consigo ver a mim próprio. Só sei que não vou voltar para a casa antiga. Não quero saber de quem lá vivia e de como vai viver para além dela. Não quero saber que lá vivi, nem de quem não tem e nunca terá casa. Quero apenas evitar que as ruínas resistam ao meu projeto de desmemoriamento e teimem em avivar este sentimento de vazio ruim, o único que fica de todos os que ferem a minha carne e se atravessam no caminho de me libertar do passado.

Para o serviço da conversão ficar bem feito, reduzirei a cinza e nada toda a reminiscência que possa roubar tempo à decisão de me entregar, de modo acelerado, vistoso e confesso, à novidade e à criação da minha descomprometida condição de pós-moderno e neoliberal.

De professor passei a facilitador; não há mais lições para dar. Pertenço, de corpo inteiro, a esta sociedade incapaz de tudo, inclusive de notar as diferenças. Doravante a minha memória está limpa do que me ligava ao passado. De resto o que não se passou não pode ser passado; o que não sucedeu não pode ser lembrança. Sou expressão da desmemoriação. Oiçam bem: recuso, renego e abjuro o passado. Todo eu sou eterno presente, sobrevivo no limbo das inovações e adaptações permanentes. Desta forma reciclado, estou apto a subir no aparelho de Estado – ou noutro qualquer – e a aceder ao exercício das mais altas funções. Se assim o quiser a divina ou outra providência, eu vou longe.

Claro que carreguei nas tintas; mas exagerar é uma maneira de alertar.

28 junho 2007

O Armando

Notícia ruim não tem hora pra chegar, né? Acabei de receber o email do Eurico:

Gente,

Venho dar a triste notícia do falecimento do querido Seu Armando, como era conhecido o boêmio Armando Colacioppo. Provavelmente a maioria de vocês o conheceu, vendendo seus bichinhos pelos bares da noite paulistana (batia ponto no Asterix toda noite). Era a doçura em pessoa. Hoje pela manhã ele chegava de sua tradicional ronda com a bicicleta e passou mal. Faleceu antes de chegar no hospital.

É triste. Morre com ele um pouquinho do romantismo, da vontade incansável de não se render e fazer da vida algo diferente. Mesmo que seja na singeleza de roubar alguns sorrisos com bichinhos de pelúcia feitos à mão e piadinhas acerca do nome de cada um. O pequeno fica tão grande nessas horas, não?

Olho para minha coleção de bichinhos e lembro de histórias marcantes sobre vários deles. Não sei se choro ou se rio; acabo fazendo os dois.

O velório será hoje, a partir das 18h, no Cemitério Vila Nova Cachoeirinha. O enterro será amanhã, a partir das 9h.

Descanse em paz, querido amigo!

.:.

Conheci o Armando logo que cheguei em Sampa. Frequentando botecos na região da Paulista, não tinha como não encontrá-lo. Logo virou amigão. Logo virei seu freguês. Cheguei a ter quase uma dezena de seus bichinhos aqui. Perdi alguns por culpa de cupins... Mas a Pantera Cor-de-Rosa segue intacta.

Mas o Armando se foi sem entregar as encomendas para o Brunão e o Mateus: A Vaca e o Frango, ou Batman e Robin, ou qualquer um.



Figura folclórica. Agradabilíssima. Comuna dos bons. Numa vez, comemorando o bi ou o tri do Guga em Roland Garros, perguntamos para ele: "e aí, gostou?". Armando foi curto e grosso: "É jogo de burguês!"

Diz a lenda que ele foi da Marinha. Perseguido por suas convicções políticas, montou com a sogra e a esposa sua fábrica de bonecos. Elas desenhavam. Ele os enchia com alpiste, arroz... e histórias. Tinha uma história para cada um. Um dos mais legais era o "Zé Celso". Lógico, além do ET pintudo.

Armando passava a noite e boa parte da madrugada rodando os bares. Mas eu sempre fazia questão que ele ficasse um pouquinho na nossa mesa. Costumava repetir uma piada: emendava dois ou três canudos, quando lhe oferecíamos um chopps. Colocava o canudão no copo e sugava tranquilo. Explicação: "Meu médico mandou eu manter distância da bebida".

Peça raríssima. Os botecos de Sampa não serão os mesmos sem as suas visitas.

26 junho 2007

Diga Não

Seqüência d'um meme (1/2 fajuto)* que brotou no Graffiti. Vamos lá:

  • Diga não: para coletâneas 'caça-níqueis', discos 'ao vivo' e todas as outras apelações da moribunda indústria fonográfica;
  • Diga não: para CDs e DVDs protegidos contra cópia - você tem o direito de fazer backups (cópias de segurança) e de gravar coletâneas para seus amigos e namoradas(os).
  • Diga não: para as emissoras de TV que se transformaram em geradoras de receitas para operadoras de telefonia.
  • Queremos CONTEÚDO DE VERDADE, INTERATIVIDADE DE VERDADE;
  • Diga não: para as emissoras de TV que escondem nas madrugadas suas atrações mais "cultas" (Observação importante: eu falei CULTA, não CULTO (religioso), ok?);
  • Diga não: para todas as publicações "jabá-driven" (matérias pagas - direta ou indiretamente - você sabe do que estou falando);
  • Ou, no mínimo, exija que elas sejam honestas. Tipo assim: "Tá vendo o mané que apareceu na capa? Então... ele pagou para aparecer, ok?"
  • Diga não: para os críticos musicais pós-punk, aqueles descerebrados que acham que música é atitude - promotores de modas mais efêmeras e vazias que uma bola de chiclé vagabundo;
  • Diga não: para as emissoras de rádio que tocam a mesma coisa todo dia;
  • Diga não: para tudo que não seja ABERTO e SINCERO contigo.


* Explicando (para quem não seguiu o link lá de cima): Hoje é o "Dia Internacional de Combate às Drogas". Aproveitei a motivação para combater OUTRAS DROGAS que afetam o nosso dia-a-dia. Vai lá, mermão: DIGA NÃO!

13 junho 2007

Scratch #087

Obedeço às leis de produção de um produto como outro qualquer, e não vejo mal nenhum nisso. A grande diferença, que talvez seja a mais notada, e que ilude aos mais desatentos, venha do fato de que valorizo determinadas etapas de produção que outros diretores, por suas razões, não valorizam tanto: o ensaio, o trabalho com os atores, o estabelecimento de oficinas de criação e um processo colaborativo. Para mim, isto é fundamental, mas, repito, a matemática final é a mesma para todos, portanto, troco sempre minha listinha acima por gruas mirabolantes etc... Os caríssimos efeitos especiais, pela ilusão. Não há nada que uma lente não possa fazer. Sou simples...

- Luiz Fernando Carvalho (Diretor de "A Pedra do Reino").

A Pedra do Reino

E coloca risco nisso! O primeiro capítulo da micro-série, que passou ontem, foi uma vertigem pura. Que experiência!

Só não foi 100% inédita porque já vi "Lavoura Arcaica" umas 5 vezes. Então pintaram vários "déjà-vu":

  • As cenas do Quaderna na cadeia lembram demais o início de "Lavoura", com o André (personagem do Selton Mello) "preso" em um quarto de pensão. O jogo de sombras, o monólogo "epilético", apressado e desesperado;
  • Quaderna menino "rouba" Rosa de uma quadrilha (dança), e se esconde com ela em um casebre que parece abandonado. Quando se deitam sobre palhas copiam, no quadro e na beleza, uma cena de André e Ana (personagem de Simone Spoladore);
  • A câmera é dinâmica, realça os discursos distorcendo as imagens. Acho que são fotógrafos diferentes, mas o Luiz Fernando Carvalho conseguiu os mesmos efeitos. A única diferença marcante está na cor. "Lavoura" é cinza. A "Pedra" é amarela.
É o tipo de obra que me dá um certo desespero ao assistir. Fico louco por um "pause", uma repetição... Vou ter que esperar o DVD.

[Break para o almoço. Comentário da mama: "Você gostou da série? Nossa, não gostei não. Aquela gritaria. Muito teatral. Eu não gosto de teatro".]

Não falei, mas também não gosto de teatro. Aliás, não tenho experiência suficiente pra saber se gosto. Mas entendi bem o que minha mãe quis dizer: chama a atenção a interpretação "over" de todos os personagens. "Over acting"... é intencional. O Luiz Fernando está experimentando. E usando a vênus platinada como balão de ensaio.

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No Globo do último domingo pintou uma entrevista com o diretor de "A Pedra do Reino". Vou surrupiar alguns trechinhos:

"Procuro trabalhar de uma forma mais inquieta com o universo da literatura, ficando mais aberto para as visões que a leitura evoca. Minhas tentativas com os textos do Projeto Quadrante serão sempre uma resposta criativa à leitura. Eu recuso a idéia de adaptação. Acho isso uma coisa redutora, como se este modelo esquematizasse, enquadrasse, engavetasse as entrelinhas dos textos.

"Não tenho a pretensão de ser autor, mas tenho a necessidade de criar, sou um criador respeitando a síntese dos autores. Aprendi a lidar com essa contradição, que hoje significaria dizer o mesmo que ser um diretor autoral na TV.

... "Não vejo "A Pedra do Reino" como cinema. Gostaria de insistir que é um projeto de TV e para a TV.

"'A Pedra do Reino', no cinema, seria um filme visto pelas classes média e alta. Infelizmente, em função dos preços dos ingressos, do número reduzido de salas, o cinema se elitizou brutalmente. Por isso, é uma alegria muito grande poder oferecer a todo o país uma literatura como a de Ariano."

.:.

O Projeto Quadrante é isso: levar cultura de verdade para nossa pobre TV. Mas o Luiz Fernando arriscou muito - a proposta de "A Pedra do Reino" é radical demais. Talvez seja um "choque" necessário. Mas acho que ele não vai atingir todo mundo que ele queria. Né mãe?

25 maio 2007

Só o Fogo da Poesia Pode Descrever

O título acima foi surrupiado da propaganda de "A Pedra do Reino", micro-série que a Globo estréia no próximo dia 12/jun. Parece que, uma vez a cada dois anos, o público da TV aberta será presenteado com uma obra de arte.



"A Pedra" é dirigida por Luiz Fernando Carvalho, o mesmo de "Hoje é Dia de Maria". Luiz Fernando é um diretor único - uma exceção na televisão tupiniquim. Um cara que não se deixa prender nas normas e padrões da telinha. Arquiteto e desenhista, ele não tem medo de arriscar. Os primeiros capítulos da novela global "Renascer", filmados com técnicas só utilizadas no cinema, mostraram bem as ambições do Luiz Fernando.

Mas não é só uma questão de imagem, de estética. Luiz Fernando persegue histórias boas. É um excepcional contador de boas histórias. E parece ter uma queda por textos difíceis. Brigou muito para fazer "Lavoura Arcaica", de Raduan Nassar. Talvez seja o único "filme de AUTOR" tupiniquim desde os tempos do Glauber. Luiz Fernando brigou tanto, que só liberou a versão em DVD quando conseguiu lançá-lo como planejado: um DVD duplo que documenta todo o projeto. Cinema em Pindorama parece exercício para heróicos sadomasoquistas. Para os padrões do Luiz Fernando, vira um verdadeiro calvário. Por um lado isso é ruim, quem sabe quando ele vai se aventurar de novo na telona? Mas, por outro lado, isso é muito bom: Luiz Fernando tem a chance de falar com um público maior, mais heterogêneo e muito carente, os telespectadores.

Por isso ganhamos "Hoje é Dia de Maria" e agora em junho ganharemos "A Pedra do Reino". Quem viu as propagandas já deve ter levado um belo susto. Poesias e repentes declamados por personagens que brilham e exageram em seus gestos e vestes. Cultura do sertão nordestino. Mais uma adaptação de uma obra de Ariano Suassuna. Só não esperem nada parecido ou engraçado quanto "O Auto da Compadecida". A mini-série e o filme de Guel Arraes foram legais e bem populares. A proposta do Luiz Fernando é um tanto mais arriscada.

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Aliás, um risco (muito bom) que parece que a Globo quer correr. "A Pedra do Reino" faz parte do Projeto Quadrante. Outras três adaptações estão previstas: "Capitu" (baseada na obra de Machado de Assis - RJ), "Dançar Tango em Porto Alegre" (Sérgio Faraco - RS) e "Dois Irmãos" (Milton Hatoum - AM). Que dê certo. E que os futuros quadrantes contemplem Guimarães Rosa - MG, de preferência sob os cuidados de Luiz Fernando Carvalho.

10 maio 2007

Scratch #086


"E eu aqui, sem uma camisinha!!"

Que barato! O poster aí é australiano. Da época da 2ª guerra mundial. "Pro" é de "prophilactic". Hoje eles costumam chamar de "condom". Abaixo da frase do Donald um aviso do ministério da saúde deles: "Seja esperto - doenças venéreas (VD) estão em alta".

Hoje em dia, os dogmas e a ignorância são mais perigosos que qualquer doença. Matam mais que bala perdida.

09 maio 2007

O Papa é SuperPop

Detesta a prosa-ruim de engenheiros? Eu também. Mas em duas eles acertaram: o Papa é pop! E a noite cai de alturas impossíveis.

Não importa que a Ilze lembre todos os dias que o Benedito não tem o carisma do Karol. O show tá montado. E nossa TV oficial fará cobertura completíssima.

Boa hora para tirar férias dos telejornais oficiais.

Não tem nada a ver com religião e opções. Os problemas são outros:

Questionam se temos capacidade para organizar um evento esportivo qualquer. Mas concordam em destacar 20 mil policiais para cuidar da segurança do Papa.

Em horário nobre nos enchem de detalhes nobres da nobre visita. E escondem no telejornal da madrugada uma bela matéria sobre padres espanhóis esquecidos no Centro-oeste. Padres de nobres propósitos.

Propósitos censurados há tempos. Afinal, deve prevalescer apenas aquela inocente alienação embalada por uma trilha sonora alegrinha. Axé? Por que não? Primeira vez na história da humanidade que a palavra "RENOVAÇÃO" é utilizada para a perpetuação de costumes.

Costumes que representam uma moral. Arcabouço de uma vida ideal. Não importa que certas "leis" custem a vida de milhares ou milhões. Importa é a vida ideal. Apreciada através d'uma janelinha de meio metro quadrado. Ou de 21, 29 ou 42 polegadas...

02 maio 2007

Brasyl

"Imagine um Blade Runner nos trópicos". Assim começa a apresentação de "Brasyl", novo livro de Ian McDonald. Cory Doctorow (BoingBoing) sabe muito de sci-fi. Ele diz que a sensação ao ler "Brasyl" é do mesmo tipo daquelas geradas por "Neuromancer" (Gibson) e "Blade Runner". No título de seu comentário, Cory tascou "mind-altering cyberpunk carioca". Depois deste aval, tudo que eu quero é ler logo o livro (que acabou de ser lançado lá fora).

As três histórias do livro se passam no Brasil. Uma nos tempos atuais, outra no século XIX e a última em um futuro próximo. Resta torcer para que o McDonald conheça um pouco mais de Brasil do que o seu colega William Gibson. Explico: em "Reconhecimento de Padrões", num breve trecho (ufa), Gibson trata os brasileiros como um bando de fanáticos religiosos.

Não é a primeira vez que "Brasil" vira título de uma obra de ficção científica. Tem aquele filme do Terry Gilliam, "Brazil". Sorte nossa, ficamos só no título. Escapamos d'outra enrrascada há pouco: "AeonFlux", com a bela Charlize Theron, quase foi filmado em Brasília. A diretora queria uma arquitetura radical, "cercada de selva por todos os lados" (tá nos extras do DVD). Selva? Como enfrentaram muitas dificuldades (com os deputados?), acabaram optando por Berlin. Tudo a ver.

Dá pra usar o Brasil como tema ou cenário para obras de ficção científica? Nossas contradições e tradições darão espaço? Só lendo "Brasyl" pra saber.

27 abril 2007

Triste Bahia

"Triste Bahia" é o nome da pior música do Caetano. Falei dela dias atrás, querendo esquecer. Mas não consegui pensar em outra coisa depois que vi duas notícias sobre a terra de Amado e Caymmi.

A primeira pintou ontem: uma pesquisa do MEC mostrou que a Bahia tem o pior ensino público do Brasil. A nota média ficou em 2 vírgula qualquer coisa. A média ideal é 6. Só 9 escolas do Brasil (8 no estado de São Paulo e uma no Paraná) conseguiram notas dignas. Mas a lanterninha da terra de ACM e Pires mereceu destaque.

A outra notícia eu vi hoje de manhã: Salvador tem o maior índice de desemprego de todo o Brasil. Não ligaram as duas pesquisas. Só falaram que na capital de Gal e Bethânia, 22% das pessoas estão desocupadas. Não por falta de ofertas de emprego. É por falta de qualificação mesmo. Ou, colocando de outra forma, falta de EDUCAÇÃO.

Índices vergonhosos para a terra de pseudo-intelectuais como Gil e Caetano. O primeiro é nosso Ministro da Cultura. Adora levar carnaval e capoeira para todos os povos do mundo. Passou da hora de levar um pouco de mundo para a Terrinha. Mundo básico. A moça (de uma agência de emprego) falou que os candidatos têm "2º grau completo. Mas são fraquíssimos em português e matemática."

Detalhe: eram candidatos a operadores de telemarketing!?!

Triste Bahia. Que adora fingir alegrias.

23 abril 2007

18 abril 2007

Tio Moacir e o Lobão Tenebroso

Desde o início do ano, sempre depois da pelada de quinta, tio Moacir sempre tem um motivo para repetir seu último mantra: "Não tenho compromisso nenhum com a coerência". Remédio com bula: não é indicado para menores de 50 anos. Efeito colateral na cabecinha dos inexperientes: cantarolam "metamorfose ambulante" e se esquecem de ter opinião própria sobre qualquer assunto. Tio Moacir dribla descalço e não abre mão de ser coerente com sua frase.

Eis que ressurge o Lobo Mau da música brasileira, circa 50, rompendo vários dos compromissos que havia assumido na última década. Seu renascimento na grande mídia é batizado com um "Acústico MTV", tipo de obra que Lobão um dia falou que era coisa de gente decadente. Lobão, assim como Clapton, Paralamas, Lenine e Alice in Chains, fez um unplugged muito digno: Decadence avec Elegance.

Abre o disco com "El Desdichado", repetindo o tio Moacir: "Na contramão da contradição". Armadilha das boas. Lobão foi esperto o suficiente para aproveitar a oportunidade e mostrar para o povão todas as pérolas de sua fase independente. Sons incríveis como "A Gente vai se amar". E, claro, não deixou de remoçar todas as suas grandes obras, de "Corações Psicodélicos" (a melhor bobeirinha new wave do rock nacional) a "Por tudo que for" (balada em estilo Byrds/Band). Passa por "Me Chama" (clássica), "Noite e Dia" e "Essa noite não".

De repente, sem ninguém esperar, Lenine e Lobão provaram que "Acústico MTV" não é cemitério de 'greatest hits'. Que bom!

Torci muito para que a fase independente do Lobão desse certo. Não deu. Ele fez muito bem em voltar. Fará muito bem para a música brasileira. Por contraditório que seja.

16 abril 2007

Onde moram as idéias - Parte II

Surrupiado do Guz, do Atchim.

Sou levado a crer que existem 3 tipos de gente: as que pensam que viver é “uma coisa que vai”, as que pensam que viver é “uma coisa que chega”e as que não perdem tempo com esse tipo de bobagem. Invariavelmente, essas últimas são as mais vocacionadas à felicidade. Mas, infelizmente, esse terceiro tipo não é uma questão de escolha porque, a partir do momento em que se pensar no assunto, só sobrarão as duas primeiras opções. A vida é mesmo carregada de encruzilhadas.

As pessoas do primeiro tipo – as que vão – normalmente não fazem grandes planejamentos, são costumeiramente péssimas em matemática e compram em 24 prestações. As do segundo tipo – as que chegam – sabem até os centavos do dinheiro que têm no banco, sabem exatamente quanto falta para atingir seus planejamentos e, pasmem, não passam no caixa-eletrônico na sexta-feira à noite. As do terceiro tipo – felizes – não têm conta no banco.

O pessoal do primeiro tipo acha que a vida sempre vai, como um trilho de trem com duas únicas estações: o nascimento e a morte. O do segundo tipo vive a aguardar as paradas no meio do caminho: formatura, carro próprio, casa própria, netos. Não que as pessoas do primeiro tipo não possam passar por essas etapas, mas as do segundo tipo sabem exatamente a hora em que isso irá acontecer e, principalmente, quanto vai custar. Já as pessoas do terceiro tipo não acham nada. Só vivem mesmo.

As pessoas do primeiro tipo são boas no improviso, as do segundo preferem seguir o roteiro bem especificado de suas agendas e as do terceiro tipo não perdem um capítulo da novela das seis. As do primeiro tipo gostam de futebol, as do segundo também e as do terceiro são boas de bola. Quem acha que a vida é “uma coisa que sempre vai” gosta do passado, quem acha que a vida é “uma coisa que chega” ama o futuro e as outras vivem o presente e adoram dar e receber presentes.

As pessoas do primeiro tipo talvez se arrependam do que fizeram, as do segundo, do que não fizeram e as outras sabem pedir perdão e esquecer.



ps do pv: eu deveria estar alimentando o Atchim, não surrupiando espirros. Mas o mano caçula filosofando é impagável (no melhor sentido possível).

02 abril 2007

Nostalgia

Manhã de domingo, dia da mentira. Ressaquinha leve e uma vontade de escutar música brasileira. Comecei pelo meu default - Lenine - e pulei no samba do Seu Jorge. Duas músicas só. Não bastava ser brasileira. Tinha que ser diferente. Tem dia que tenho que escutar música 'diferente'. Fucei na coleção e saquei um disco que só ouvi uma vez: "Transa". Caetano Veloso, 1972. Fase barra pesada.

Conclusão antecipada: não gosto do Caetano. Os 40 anos de carreira dele renderam, para meu gosto, umas 20 músicas razoáveis e umas 3 excepcionais. Só. Quem falar que agüenta escutar "Triste Bahia" inteirinha, em volume razoável, ou é louco ou é sado-masoquista. São nove minutos e meio da mais pura tortura. Aliás, escutei cada segundo. É que bateu um espírito baiano e não consegui sair da rede (aquela de balançar) para apertar o 'next'. "Triste Bahia". Caetano filosofa em cima d'uma batucada de fazer Carlinhos Brown parecer gênio.

"Filosofia". "Mora na Filosofia", de Mansueto Menezes, salva o lado 'B' do disco. Caetano é bom intérprete. Perde feio pra mana Bethânia, mas tem personalidade. A letra do Mansueto ajuda muito. "Te coloquei na balança - você não pesou / Te coloquei na peneira - você não passou". Dá pra entender porque Caetano resolveu gravá-la. Filosofando. Aí caiu na "Nostalgia".

"Nostalgia". Num desses dicionários da Internet tem a origem da palavra. Do grego: nostros (retorno) + algós (dor). O retorno da dor. Acontece que a faixa que fecha a "Transa", com um minuto e vinte segundos, tem subtítulo: "That's what Rock and Roll is all about". A levada é blues. Violão chique. Mensagem truncada ou errada ou mal guiada. Era 1972. O sonho tinha acabado mas o rock'n'roll estava vivinho. E olhando para a frente. Antecipou tanta coisa. Tanta coisa que o próprio Caetano continua reutilizando, inclusive em sua nova fase... rock'n'roll!

Caetano é o rei da varada n'água. O rei do "ou não". Deve vir daí sua empatia. Um rei que se mostra plebeu perdidinho toda vez que abre a boca ou escreve algo. "Eta eta..." Caetano Malagueta.

O assunto não ia roubar espaço e 10 minutos do meu tempo. É que hoje recebi uma mensagem bem 'auto-ajuda': "A nostalgia pode ser uma força poderosa. Hoje ela pode ter um efeito narcótico em você!"... hehe..

Ok Caetano, você venceu. Hoje vou escutar todos os discos do Led Zeppelin!

28 março 2007

Imitação Recursiva

Wow. Primeira vez que as duas palavrinhas do título aparecem juntas - em PT-br. É o que diz o Google. Em inglês são 5 ocorrências. Talvez exista algum pecado gramatical. Sei lá. Só sei que foi a primeira coisa que pensei quando descobri o Frolix-8. Pra entender: é tipo aquele papo sobre a "vida imitando a arte" ou vice-versa. O autor do Flolix-8, Palmer Eldritch (pseudônimo - é o nome de um personagem do Phillip), vive perguntando: "Em qual história do Philip K Dick estamos hoje?"



Cada referência, livro ou conto, é acompanhada de um link para uma notícia ou qualquer outra coisa que esteja na Internet. Forma diferente, um tanto inédita, de mergulhar nas histórias de PKD. Maneira curiosa de confirmar as "profecias" do maior escritor de ficção científica de todos os tempos.

21 março 2007

19 março 2007

Povo Feliz

"Povo Feliz". Acredita-se que somos. Nós, tupiniquins. Vira e mexe alguém exalta nossa felicidade. De um jeito ou d'outro. O outro jeito é melhor rankeado no Google. Você busca "Povo Feliz" e recebe uns 6 links para "Povo marcado - êh Povo Feliz". Mas uma felicidade sem marcas, vira e mexe, pinta na mídia. Na nossa mídia. Pelo jeito, estão confundindo "povo feliz" com "bobo alegre".

Explico: um monte de cientistas sérios elaborou um 'Mapa Mundial da Felicidade'. Um tipo de ranking. O Brasil tá em terceiro no da FIFA, né? Perde pra Argentina e Itália. Mas tá bem melhor no futebol do que no quesito 'felicidade'. Saca só os primeiros colocados:

  1. Dinamarca
  2. Suiça
  3. Austria
  4. Islândia
  5. Bahamas
Bah! São ricos. Estão no tal Primeiro Mundo (Bahamas é periferia-pólo-turístico). Natural que sejam mais felizes. Mas o que fazem Butão e Brunei em 8º e 9º? Na frente do Canadá que até pouquíssimo tempo atrás tinha o melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo.

Pronto, acabei de misturar grana com bem estar social com felicidade. Só falta colocar pagode na parada. Falta, antes, descobrir onde tá o Brasil no mapa da felicidade. No release da SD ele não é citado. Menos mal que ele não apareça junto com os lanterninhas, Congo, Zimbábue e Burundi. Mas, e aí? EUA é 23º. Alemanha, 35º. A França, tristonha, é 62º! E nada do país que vive gritando aos 4 ventos da mídia sua eterna felicidade. Será que ela só dura nos 5 dias de carnaval? Pode ser. Aí, se fizeram a pesquisa na Quaresma, acabaram prejudicando nossa posição. Felicidade é sazonal?

Xi... então entramos em período de entre-safra. Amanhã começa o outono. Folhas cairão. E os 'bobos-alegres' perderão um cado de exposição. Até propaganda de cerveja fica mais sisuda (e com menos bunda).

Mas há luz no fim do túnel da Rebouças. O "Pan do Brasil" vem aí. Com a maior campanha publicitária (indiretamente paga) da história. Para "felicidade" d'alguns bobos-alegres: em pleno inverno tropical!

03 março 2007

Prêmio de Consolação

Prêmios e campeonatos sempre serão uma fonte de injustiças. Variáveis e gostos são amplos e diversos demais para que a gente simplesmente fale: é o melhor filme, a melhor música, etc. Vivo cometendo tal pecado. "Blade Runner" me ensinou o que é cinemão. Na lata, ele sempre é meu filme favorito. Uma certeza que é constantemente abalada. Quando revi a trilogia do "Poderoso Chefão" pela enésima vez eu cravei: "Poderoso Chefão" é o melhor filme de todos os tempos! Besteira...

Mas uma besteira gostosa. Por isso Nick Hornby, principalmente o seu "Alta Fidelidade", é tão divertido. O protagonista vive fazendo listas: "as 10 melhores músicas para uma segunda-feira modorrenta"; "as 10 melhores músicas quando se está numa fossa daquelas"; "os melhores filmes para um primeiro encontro com uma garota". Não é nada sério. Provoca produtivas e úteis discussões sobre cultura inútil. E grana só entra na história se rolar alguma aposta besta. Caso contrário, é a prosa pela prosa.

Daí que o Oscar e similare$ são uma bullshitagem ('cagada de touro' em pt-br vira besteira mesmo) pura. Uma bobeirinha que movimenta milhões e mobiliza praticamente toda a indústria de entretenimento. Toda mesmo: do mundo da música até o universo dos games. É o principal item em todo o arsenal de marketing de Hollywood. Chega a ser até divertido quando não exagera nas encenações.

Em 1992, quando "Silêncio dos Inocentes" papou todos os prêmios relevantes (filme, diretor, atriz, ator e roteiro), pensei que o Oscar estava ficando mais coerente e livre. Pena, foi uma exceção. Um desvio que só se repetiu no ano passado, quando "Crash" levou o prêmio de melhor filme. Fora isso, a regra no Oscar é grana, conservadorismo e décadas de atraso.

O atraso, maior fonte de injustiças, ganhou um tipo de 'band-aid': aquele tal 'Prêmio pelo Conjunto da Obra'. Hitchcock, o mais completo diretor de cinema, ganhou um. Foi uma das cenas mais deprimentes na história do cinema: Hitch velhinho, muito debilitado. Ele não precisava disso. Assim como Robert Altman. Engraçado é que parece que os caras da academia adivinham quando o cara está prestes a deixar este mundo. Dá o prêmio de consolação e o cara capota. Engraçado nada - é triste mesmo.

Mas eis que a Academia resolve inovar: recompensa uma injustiça dando um prêmio 'de verdade'. Assim, finalmente, Martin Luciano Scorsese ganha o prêmio de melhor diretor. Foi quase tão deprimente quanto as cenas com Hitch e Altman. Sorte deles, da Academia, que Scorsese tem um senso de humor danado. E recebeu o prêmio das mãos de três reis magos: Coppola, Spielberg e Lucas. Pegou a estatueta perguntando: "Vocês têm certeza de que sou eu mesmo?" Era.

Não pelo pesado e cínico "Taxi Driver". Nem pela sua obra-prima, "O Touro Indomável". "Os Bons Companheiros" ou "A Última Tentação de Cristo"? Nem pensar. "Os Infiltrados" nem foi um esforço explícito para obtenção do Oscar. É um remake de um filme de Hong Kong!?! Não me lembro do Oscar descer tanto o nível. Talvez o Oscar 2007 seja lembrado pela maior forçação de barra de todos os tempos. Triste.

Tomara que em 2027 eles não estejam fazendo o mesmo com o Alejandro Gonzáles Iñárritu. "Amores Perros" já merecia o prêmio de melhor filme estrangeiro em 2001. "21 Gramas" e "Babel" encerram uma das trilogias mais acachapantes da história do cinema. Mas a academia estava ocupada, corrigindo uma injustiça cometida em 1977.

01 março 2007

14 fevereiro 2007

Olha o Camburão aí Gente!

E por falar em ressurreição! Uma das bandas mais criativas e bem sucedidas dos anos 80 vai se reunir para comemorar os 30 anos de sua primeira gravação. O Police está de volta!



Por enquanto se trata de uma grande turnê mundial. Claro, Pindorama tá na lista. Provavelmente no último trimestre. Um CD e um DVD com o registro do passeio deve ser inevitável. Mas, por enquanto, nada de novas gravações. É mais provável que seja só isso mesmo: uma grande comemoração e pronto. Sting, apesar do desastre de seu último disco (Sacred Love), tem uma carreira solo consolidada. Andy Summers tá com uns 60 anos. Não tem mais pique para banda. E Stewart Copeland é um esquisitão-legal que sonha desde 86 com a volta do Police. Terá seus 10 meses de curtição.

Como eu já disse por aqui, não gosto de 'revivals'. Mas, de novo, taí mais um que curti. Sim, porque o cenário musical anda paupérrimo. Sim, pq finalmente poderemos ver o trio no Brasil. E não precisa ter música nova. Aliás, tomara que eles evitem isso. Não tenho dúvidas de que cada som será retrabalhado. Sting regravou dezenas de sucessos do Police, todos com uma roupagem bem jazz. Copeland é vidrado em sons do 'terceiro mundo' desde a primeira fase da banda. E Andy Summers é eclético por natureza. O último disco dele é "Splendid Brazil", gravado em parceria com o excelente guitarrista Victor Biglione. Ele gravou "Chovendo na Roseira" (Jobim), "Retrato em Preto e Branco" (Jobim e Chico), "As Rosas não Falam" (Cartola) e "O Ôvo" (Hermeto), dentre outros clássicos tupiniquins. Tudo instrumental. Todas fenomenais. Tudo passou batido na terra do calypso-bruno-amarronado.




O Police nasceu praticamente no 'boom' do pior momento do rock: na era "punk+disco". Passou batido, apesar da guitarra seca de "Next to You". Diferença fundamental: inteligência + reggae. Acabou criando um estilo que foi cansativamente copiado mundo afora. Um de seus filhotes mais nobres é o Paralamas do Sucesso (mesmo formato - mesma proposta inicial).

O trio não tem lógica e talvez por isso tenha sido tão criativo. Sting era professor com uma voz fraquinha pero marcante. Um Chet Baker sem heroína (só um yagezinho de quando em vez). Copeland, filho de diplomata estadunidense, girou mundo. Playboyzinho culto e antenado. Para muitos, o melhor baterista dos últimos 30 anos. Para mim ele perde do Bonzo (Led) e empata com o João Barone. Summers era o mais velho dos três. Tava no mundo do rock desde o início da era Beatles! Participou de coisas pra lá de estranhas como o Dantalion's Chariot, banda pop-psych que lançou um disco em 67. Escute a introdução de "Bring on the Night" para entender porque muitos acreditam que Summers reinventou a guitarra.

A riqueza musical da banda merecia letras igualmente valiosas. É aqui que Sting se destaca. E não estou falando das rimas bem sacadas de "Every Breath you Take" (que ninguém tira da minha cabeça que é um quase plágio do reggae do LedZep, "D'yer M'aker" - sem demérito. Afinal, cria-se assim também). Mas tô falando de outras pérolas, tão ou mais importantes que o maior hit deles. "Roxanne" é um apelo passional para um puta (viu Veja: PUTA!). "Don't Stand so Close to Me" é um apelo frágil para uma aluna safadinha. "I Can't Stand Losing You" é o apelo dos apelos:

I guess this is our last goodbye
And you dont care, so I wont cry
But you'll be sorry when Im dead
And all this guilt will be on your head
I guess youd call it suicide
But Im too full to swallow my pride

I cant, I cant, I cant stand losing...


Como um dramalhão assim não soa patético? Tendo bom humor. E ritmo, muito ritmo.

Desse camburão ninguém tem medo. Que venha a Polícia!

12 fevereiro 2007

Torturando com Música

É verdade. Tropas estadunidenses usam altos e pesados sons como uma forma de tortura. Um dia foi "Voodoo Child" do Hendrix. Hoje rola Barney (?), Sesame Street (?) e Metallica.

Tortura não é brincadeira, mas não vou resistir. Semana passada uns trogloditas da PM de Sampa foram pegos com a boca na botija - cacetete e cotovelo na costela, melhor dizendo. Se copiassem seus iguais do hemisfério norte, teriam matéria prima de sobra: imagina uma sessão com um MC-qq coisa carioca, Bruno e Marrone, Dudu Nobre, Asa de Águia, Calypso e o Faustão tagarelando: "10 milhões de cópias vendidas! Sucesso é isso aí!! Ôrra meu!!!".

Qualquer um confessaria qualquer coisa...

Scratch #082


Romeo & Julieta, 3000 A.C.

O Fundo do Poço no Reino Encantado

Cory Doctorow é um dos blogueiros mais lidos do mundo. Nada de especiarias árabes e besteiróis afin$. Papo bom, relevante ou não. Seu blog é o BoingBoing. Cory também é escritor. Adora ficção científica, cultura popular-digital-livre e outras coisinhas.



Seu primeiro livro, "Down and Out in the Magic Kingdom", agora está disponível em 'português do Brasil' também. Livre e gratuito, como na versão original. Trampo elogiável de José Rafael de Macedo Zullo.