04 março 2005

Scratch #004

Réquiem do Pequeno

te falta o gesto largo, a ébria poesia
TE SOBRA A PEQUENEZA, AS PEQUENAS CERTEZAS
como agenor dizia

A VIDA NÃO TE INTOXICA ENQUANTO CONTAS TROCADOS
não vês o anzol e a linha da vida que passa ao teu lado
TE FALTA SUBIR AO MAIS ALTO,
TE FALTA DESCER AO MAIS BAIXO
te sobra a maldita prudência, alegrias compradas a prazo

AO INVÉS DE VIVER, SOBREVIVES, SACRIFICAS O ESSENCIAL
não choras de dor em finados, não gritas de amor carnaval
COMETES ENTÃO, QUE SURPRESA! O SACRILÉGIO FINAL
não vês a fugaz e humana beleza e sonhas em ser imortal


Letra e Música: Herbert Vianna
Disco: Severino (Paralamas do Sucesso)
Ano: 1994

2 comentários:

Fabio Torre disse...

É do mesmo disco uma outro trecho excelente do Herbert: "É muita gente ingrata reclamando de barriga d'água cheia, são maus cidadãos. É essa gente analfabeta interessada em denegrir a boa imagem da nossa nação. És tu Brasil, ó pátria amada pra quem tem acesso fácil a todos os seus bens, enquanto o resto se agarra num rosário e sofre e reza à espera de um Deus que não vem."

Paulo Vasconcellos disse...

Severino é o grande disco do PDS. Não é de se estranhar que é o que menos vendeu também. Se não me engano, vendeu mais na Argentina do que aqui. Pode? Pode...

É dele também a fantástica "Navegar Impreciso". Saca só:

A pátria-avó se volta sem memória
De todos estes anos de amor
Um amor sem beijo e sem resposta
Responde agora a uma nova sedução
Teus Joaquins, teus açougueiros, filhos de uma mãe avó
Os bons e os maus tratos que eu te dei
Sucumbem com tamancos,camisetas sob a lei
Que ouviste a nova-velha Europa te ditar
E voltas tuas costas para mim
Voltas tuas costas para o mar
Pra tuas conquistas, pro teu navegar
Pra tua cruz de malta sobre o azul
Um dia foste forte e generosa
Mas hoje tua memória não tem sul
Não é porque já não se usa navegar
E nem é por tua idade, eterna sois
Mas nunca mais a nossa velha intimidade
O sabor iniguálavel dos teus pães