03 fevereiro 2005

Travels

Se William Gibson tivesse o senso de ritmo do Dan Brown, "Reconhecimento de Padrões" teria vendido tanto quanto "O Código Da Vinci". A história é boa demais. Tracei o pacote de 409 páginas em tempo recorde (para meus padrões). Estranho o mergulho numa história bem início de século XXI logo após "O Velho e o Mar" e "Coração das Trevas". O choque é total. Linguagem, estrutura narrativa. É tudo muito diferente. Mas daí que caiu uma ficha daquelas. Há tempos sonho com um período 'sabático' na Europa, particularmente no 'mundo espelho' da Cayce Pollard, o Reino Unido. Vou novamente planejar o EXílio EXploratório pelas terras de Joyce, Hitchcock, Page, Bono, Gaiman, McKean e Connery. Para tanto já enfileirei dois títulos do Nick Hornby (de 'Alta Fidelidade'): "Febre de Bola" e "Grande Garoto". Depois devo cair em "Dublinenses", do Joyce. Vamos ver. (Whatafuckin' travel plan!)



Pra decorar o post escolhi uma foto/pintura digital do Dave McKean que tem o mesmo nome deste post: Travels. Lindona, não?

Voltando ao "Pattern Recognition": 'Levei um pato na cara a 300km/hora' (leia e entenderá). William faz viagens por Londres, Tóquio e Moscou. A riqueza de detalhes e a abundância de referências "cultura inútil" (moda, arte, pop, street, rock, cyber et caralho a quatro) é estonteante. Gibson é a maior enciclopédia viva de nossos tempos (depois da Wikipedia, obviamente). Ele não é só memória não. Pensa também! Tem tiradas fantásticas. Saca só a frase d'uma garota russa:

"Descobrimos que tudo que Lenin nos ensinou sobre comunismo era mentira. E tudo que ele falou sobre o capitalismo era verdade".

Não vou revelar muito da trama pra não estragar o prazer da leitura. Só reforço: leia o livro antes do filme. BTW, sobre o filme, três coisas:

1. O diretor deveria ser o Ridley Scott. Pra descontar tudo que ele deve desde 'Blade Runner'. Aliás, Ridley é citado no livro.

2. O filme tem chance de 'corrigir' o problema de ritmo do livro. Mesmo assim, se tiver menos que 150min será estranho.

3. Assim como Antonioni fez em 'Blow Up', 'Pattern Recognition' tem a chance de ser uma PUTA homenagem ao próprio cinema. Se todo o potencial 'multimídia' for corretamente explorado, testemunharemos a 1a grande arte do século XXI nascer. (Exagero? Sou otimista pracas!)

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