20 dezembro 2006

Pecados

No último domingo o Fantástico mostrou 7 pequenas histórias baseadas nos pecados capitais. Coisa jóia e bem feita. Um ou outro meio sem graça, mas o Bruno Garcia (Ira) e a Luana Piovani (Preguiça) mandaram bem. E o Selton Mello (Soberba) não conta. É sempre perfeito.

Aí fiquei pensando em quanta coisa já foi feita em torno dos pecados mais famosos. Uma série de livros (que contou com LF Veríssimo e João Ubaldo), o "Se7en", algumas músicas. Acho que não se trata mais de criar variações em torno dos mesmos pecados. Não atualizaram as X maravilhas do mundo? Pq não fazer um upgrade nos pecados?

Acho que na mesma semana teve um Café Filosófico (TV Cultura) com o Eduardo Gianneti. Papeando d'uma forma muito agradável, o Gianetti destacou um mega-pecado:

"O Brasil é o paraíso do auto-engano."


Falou também d'algumas pesquisas. Uma não sai da minha cabeça: 70% dos brasileiros dizem que os brasileiros não são confiáveis. No entanto, na mesma pesquisa, 70% das pessoas disseram que se julgam confiáveis. Hehe.. não estranharei se forem os mesmos 70%.

"Crise Ética"? Uma nação de pecadores que adoram o auto-engano.
E que não confiam em ninguém.

É difícil saber a origem disso tudo né? Nosso Pecado Original. Qual será?

Desconfio que seja o Egoísmo. Carrego algumas definições para egoísmo: é a proeza de encolher o mundo para proporções que, ilusoriamente, permitem total e absoluto controle; é a destreza de se ficar cego para tudo que esteja fora do próprio mundinho; é a fixação doentia pelo próprio umbigo - um tesão incontrolável por ele.

Egoísmo é original porque é um pecado-mãe, progenitor - 'vaca bagual', 'abelha-rainha'. De sua barriguinha torneada pipocam pecados-filho. Taí, podiam fazer uma série sobre famílias de pecados - e pecados de famílias. Cruza as palavras, a la Chico, e tasca uma obra daquelas.

Tem que falar do primogênito, a Ingratidão. Egoísta é Ingrato que dói. Como dói. Até pq, vivendo pelo próprio umbigo, como ele descobrirá que deve gratidão a alguém? Não descobre. E briga quando cobram. Aí ele convoca a Ira, a Soberba - monta um exército de pecados para defender sua integridade.

Acho que tá aí a diferença entre os Pecados Clássicos e os Pecados pós-Modernos. O clássico é fácil de ser percebido e confessado: "Sou guloso, e daí?"; "Ai.. sou ninfomaníaca..."; e por aí vai. Tem gente que adora assumir o papel de pecador clássico.

Já o pecado moderno ninguém comete. Ou melhor, ninguém admite que comete - padres não o conhecem! Imagina! "ô Padre Jêsuis, sou um ingrato mortal!". Haha.. Não vai valer nem meia-dúzia de Aves-Marias..

Mas quem cobra gratidão também tá cometendo um pecado modernoso: confessa assim que foi um falso altruísta. Admite que só deu algo pra receber um troco - mesmo que seja um mísero troquinho. O cobrador de gratidão comprova a tese da Dra Paulinha Magila: "Não há altruísmo!".

Amarra-se assim a teia que nos cobre: cobrar é pecado. O certo é não dar, não doar. O certo é cada um criar e cuidar de seu mundinho, por insípido e falso que ele seja. Afinal, a inveja não deixou de ser um pecado capital. "Inveja é uma merda!". "Egoísta eu?, mas eu ajudo tanto!".. hehe.

Há quem diga que o problema com o Egoísmo é a sua esposa: a Mentira.

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Ufs... qq dia pego essa idéia de novo e escrevo algo mais "rico".
Menos "egoísta".


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1 comentários:

catellius disse...

Olá
Parabéns pelo seu blog!
Postei um texto interessante sobre os pecados capitais e gostaria que você comentasse!
O link:
http://eneadactilo.blogspot.com/2006/12/deuses-e-pecados-capitais.html
Um grande abraço e feliz ano novo!