24 novembro 2005

Miquelina



Desconheço um lugar que inspire tantos adjetivos quanto Sampa. Ainda não conheço outra cidade que provoque sentimentos tão antagônicos. Sampa é hotel e prisão; porto e destino; esperança e desespero; grana e fome. Sampa é imensa mas parece caber na esquina da Ipiranga com a São João. Sampa é plural e poliglota, mas parece se expressar num esperanto que é só seu. Com um sotaque que só existe aqui. Sampa é policromática mas, vira e mexe, é reportada como uma grande massa cinzenta. Ontem, num papo rápido com a arquiteta Cíntia Ito, arrisquei dizer que a falta de personalidade da arquitetura de Sampa é o que a torna única. Sampa é o caos que contradiz todas as teorias e que, no fim do dia, parece ter funcionado. Sampa funciona na sua mítica pressa, contestada pela média de 22km/h em seu trânsito.
Sampa funciona.


Há 8 anos sou hóspede em Sampa. A relação de amor e ódio vira rotina logo nos primeiros dias. Rotina e paixão não combinam? Você não conhece Sampa...

E não teve a sorte de conhecer os apaixonados incondicionais. Gente de extremos, ideológicos e pouco-lógicos, não importa. O comuna que vende bichanos de pelúcia para a classe média que frequenta os botecos da Paulista. Ou o empresário que se arma com os mesmos bichanos e algumas flores para conquistar uma nova paixão na Augusta. Entre os pólos, entre porquinhos (palmeirenses) e maloqueiros-sofredores (corintianos), um indecifrável mínimo denominador comum: Sampa.

O cronista-cambeta deveria estar elaborando (sic) algo mais importante. Mas há 2 dias ensaia um convite diferente. Inspiração não pede espaço em agenda, certo? hehe

Seguinte: há pouco tive a chance de conhecer uma dessas figuras que escrevem, ativamente, algumas das infinitas e nada lineares histórias de Sampa. O Lorival, irmão de sangue corintiano mezzo-mineiro, cozinheiro de verdade e um perfeccionista doentio (elas dirão: virginiano, né?). Pois bem, o caro Lorival, em conjunto com outros amigos (que perdoarão o anonimato), acabou de lançar um portal do tempo. Um '13º andar' (só os letrados entenderão o enigma). Lorival acabou de compartilhar um sonho chamado Miquelina Bar e Arte.

Lorival perdoará a interpretação cambeta: Miquelina é um boteco-cultural. Ops.. é "O Boteco Cultural".. um sarau e um restaurante chique. Um canto (em seu sentido geográfico) aconchegante decorado com cantos cantados, retratos falados (o do Chet é animal!) e um gosto único. Gosto de quem tem opinião formada sobre Sampa, seus sabores e gostos, sons e rostos.

Hoje (qui, 24nov) espero compartilhar com alguns colegas o Miquelina. Estarei lá por volta das 20h30...

Não deu hoje, apareça outro dia. Acho que rola de domingo a domingo, começando com o "chá das 5". Fica na Rua Francisca Miquelina, 306. É na Bela Vista e o acesso mais fácil deve ser pela Brigadeiro Luis Antônio. Ali pertinho do Teatro Abril é (quase) só dobrar a esquerda, achar a Rua Santo Amaro e.. bom. O Apontador foi inventado pra isso mesmo, certo?



Considerações Finais:

  1. Não é jabá nem babação. Quem conhece o BlueNoir já viu posts parecidos falando de filmes, sons et cetera;
  2. É injusto citar só o Lorival. Assim como é impossível citar todos os envolvidos no projeto. Queria destacar aqui tb o trabalho da Vértices, que cuidou da programação visual, design, (degustação e curtição et cetera - né caros Mozart e Sandro?);
  3. E, lógico, agradecer ao varginhense Anderson e ao "Toca da Raposa", o único(?) boteco cruzeirense de Sampa, co-irmão do Miquelina. Não fossem eles eu não teria conhecido o Lorival.

4 comentários:

Guz disse...

Ok, vou estar aí de 8 a 10 do mês que vem e quero conhecer o "Miquelina", combinado?

Paulo Vasconcellos disse...

Sério Guz? Q coisa boa. Com certeza irá conhecer. E babar... hehe

Nani disse...

Tb quero conhecer!!! Parece ser muito bom mesmo. Me inclui na visita heheh

Paulo Vasconcellos disse...

Ora Nani, é só aparecer. Btw, nada de Pearl Jam, né? Adivinha pra onde eu vou depois do show, hehe..