[como se tuitando]
18 setembro 2009
Um Ano de Silêncio
18 setembro 2008
Fumaça na Narina dos outros...
... é Chanel Nº 5. E o Serra pode até enganar as nêga dele. Eu não. Nunca... Nunca é muito. Não engana desde que engatou um discurso TFP (tradição, família..) no desespero da iminente derrota de 2002. Sua sanha autoritária-reacionária desfraldou-se, esfarelou-se... Mas desconfio que paulista adora muito tudo isso. E, por isso mesmo, acatará como um porquinho de pernas pro ar aquele tal Projeto de Lei que proíbe o fumo em tudo quanto é canto.
A velha coerência paulista e paulistana. Veja bem. Se tal proposta brotasse num canto como o meu aqui, de ar muito puro, talvez até tivesse algum sentido. Mas em São Paulo?!? Só se a gente combinar uma coisa: ninguém mais fuma se nenhum carro mais circular. Aliás, na próxima segunda dá pra fazer um belo teste: Dia 22/set é o *Dia da Jornada: "Na Cidade sem Meu Carro"*. Alguém se lembra? Alguém vai cobrar? Alguém vai mostrar aquele tantão de carro desregulado cuspindo feias fumaças que sobem apagando estrelas?
Claro que não. Mas todos (81%) estão loucos para ver o fumo banido dos recintos fechados. Bidu! Sim, sou fumante. Neste exato instante saboreio um Marlboro em meu semi-fechado porão. Não questiono os males causados por esse vício. Muito menos o tanto que ele afeta os chamados 'fumantes passivos'. Mas rogo por um estudo que mostre a contribuição dos cigarrinhos para a péssima qualidade do ar de Sampa e arredores. Suplico por uma mente ainda provida d'um mínimo bom senso que mostre que todo esse ataque, se dirigido contra vícios etílicos - por exemplo, faria nossa sociedade bem melhor.
Adoro detestar o Guzzo, assim como quase todos os colunistas da Veja. Mas sua última coluna é um show de pragmatismo e informação:
"Os números oficiais são capazes de qualquer coisa. Sugerem, por exemplo, que falta dinheiro para a saúde porque o SUS gasta muito com doenças causadas pelo fumo; cerca de R$ 340 milhões por ano, segundo um trabalho recente da Fundação Oswaldo Cruz. (Seria interessante observar, a respeito, que só a Souza Cruz, a maior fabricante de cigarros do país, pagou acima de US$ 3 bilhões em impostos sobre suas vendas em 2007)."
Real... dólar... Onde foram parar os outros US$ 2,8 bi? Pagando gonorréia, conjuntivite, cirroses e mononucleoses?!? Por favor, respeitem nossa pseudo-inteligência...
Mais Guzzo: "O Ministério da Saúde manda escrever nos maços de cigarro que existem ali 'mais de 4700 substâncias tóxicas'. Mais de 4700? Como um ser humano poderia continuar vivo engolindo tanto veneno assim?"
Da mesma forma que sobrevivem em Sampa, diria um cínico.
Sampa merece! Merece porque vive inventando problemas para esconder os verdadeiros. E adora o 'me-engana-que-eu-gozo'...
Por força do trampo, seguirei visitando-a. E prometo que, no dia em que ela se tornar a imagem idealizada de Serra onde canta sabiás, só acenderei meu cigarrinho no Palácio dos Bandeirantes... zona neutra... único lugar onde tudo é permitido. Até governar!
Marcadores: bullshitagem, cigarrinho, política
15 junho 2008
Memo Nº 2
Pra não perder o que coloquei "Na Memória" (ao lado):
Deitados nos catres, os cegos esperavam que o sono tivesse dó de sua tristeza. Discretamente, como se houvesse perigo de que os outros pudessem ver o mísero espetáculo, a mulher do médico tinha ajudado o marido a assear-se o melhor possível. Agora havia um silêncio dorido, de hospital, quando os doentes dormem, e sofrem dormindo. Sentada, lúcida, a mulher do médico olhava as camas, os vultos sombrios, a palidez fixa de um rosto, um braço que se moveu a sonhar. Perguntava-se se alguma vez chegaria a cegar como eles, que razões inexplicáveis a teriam preservado até agora. Num gesto cansado, levou as mãos à cara para afastar o cabelo, e pensou, Vamos todos cheirar mal. Nesse momento principiaram a ouvir-se uns suspiros, uns queixumes, uns gritinhos primeiro abafados, sons que pareciam palavras, que deveriam sê-lo, mas cujo significado se perdia no crescendo que as ia transformando em grito, em ronco, por fim um estertor. Alguém protestou lá no fundo, Porcos, são como os porcos. Não eram porcos, só um homem cego e uma mulher cega que provavelmente nunca saberiam um do outro mais do que isto.
- José Saramago ("Ensaio Sobre a Cegueira")
13 junho 2008
É o que Me Interessa
Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
A sombra é uma paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Por trás do seu sossego, atraso o meu relógio
Acalmo a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurre em meu ouvido
Só o que me interessa
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa
Já tem uns 6 anos que o Lenine não lança um disco com músicas inéditas. Desde então, só pequenas obras primas soltas aqui (In Cité) e ali (Unplugged). A última, transcrita acima, é d'uma beleza única. Bela e instigante. Bela e triste quando decora os passos de Flora, personagem de Patrícia Pillar em "A Favorita".
Como Lenine já esgotou os artifícios usados por gravadoras para lucrar com artistas lentos (e/ou preguiçosos), os "ao vivo" e "acústico" da vida, espera-se que finalmente ele lance um novo disco. Enquanto isso, dá-lhe "repeat" numa faixa de uma trilha sonora de novela da Globo!?!?
