21 setembro 2007

The Saddest Song

by Mark Sandman

On my first day back my first day back in town
My first day my first day back in town
The clouds up above they were humming our song
Humming humming our song

My biggest fear is if I let you go
You'll come and get me in my sleep
My biggest fear is if I let you go
You'll come and get me in my sleep
Come and get me

I set my course sailed away from shore
Steady steady as she goes
I crash in the night two worlds collide
But when two worlds collide no one
survives no one survives and
The reddest of reds the bluest of blues
The saddest of songs I'll sing for you and

My biggest fear is if I let you go
You'll come and get me in my sleep
My biggest fear is if I let you go
You'll come and get me in my sleep
Come and get me come and get me in my sleep



Ah.. os sonhos/pesadelos que nos perseguem... só porque um dia eles escaparam.

Já tem 8 anos que o Sandman morreu. Ataque cardíaco fulminante. No palco. Deixou 5 discos oficiais pelo Morphine. Outros poucos pela igualmente ótima "Treat Her Right". No Morphine cantava e tocava baixo. Um baixo de 2 cordas! Uma das melhores bandas de rock da última década não tinha guitarra. Quanta contradição.

Sandman era um beatnik tardio.. nasceu com uns 20 ou 30 anos de atraso. Merecia ter vivido a era de ouro. Deu o azar de viver os 80's e 90's. Mas não se sentiu deslocado. Quem tem talento cria seu espaço. "O criativo cria a si mesmo".

Sandman: "Quando eu era uma criança pequena em Newton (Massachusetts), as pessoas diziam que eu seria poeta quando eu crescesse. Caramba... que tipo de criança ouve esse tipo de coisa?"

18 setembro 2007

O Dia dos Mortos-Vivos

Tá agendado: será no próximo 26 de novembro, uma segundona. Porque toda segunda é dia internacional dos mortos-vivos (e da preguiça e da ressaca). Na última segunda do penúltimo mês de 2007 acontecerá um pequeno show-tributo para Ahmet Ertegun - desculpa para arrecadar uns trocados para sua fundação.

Bill Wyman (ex-Stones), Pete (Who) e Foreigner (vish10x! morto-vivo é isso aí!) estarão no pedaço. Cast que chamaria uns 5 mil curiosos, se muito. Acontece que colocaram na cabeça do evento uma bandinha que morreu em 1980. Um grupinho que, depois do falecimento, só se reuniu 2 vezes, em 85 e 88. Uma grupo que lançou só 11 discos oficiais (e 111 piratas!). A bandinha, que todo poppunknerdmoderno adora detestar, atende pelo nada singelo pseudônimo de Balão de Chumbo, vulgo Led Zep.



Semana passada anunciaram o evento e, de repente, a página do evento recebeu 120 milhões de hits! 25 milhões de zumbis se inscreveram, com uma vontade danada de pagar cerca de R$300 pelo show. O mundo pop, que tenta ter explicação para tudo, não explica o fenômeno Led Zep. Quem acha que são 25 milhões de quarentões, cinquentões e sexygenários pode até estar certo. Mas eu acho que mais da metade dos 25 milhões de zumbis não havia nascido quando o Bonzo partiu dessa para uma bem melhor. Essa turminha já pôde ver o maravilhoso DVD lançado em 2003. Os mais fanáticos já viram e ouviram centenas de gravações não oficiais. Mas zumbi que presta sabe que rock é rock mesmo ao vivo, no palco. Eis que, do nada, o Zeppelin de Chumbo parte para outro vôo desgovernado.

A gente sabe que o vôo não chegará nem perto daquele em Earl's Court, 75. Será igualmente distante dos shows da turnê americana de 72/73. "Foda-se", gritariam zumbis numa só voz... hehe..

03 setembro 2007

Cegueiras

"Se podes olhar, vê.
Se podes ver, repara."

É oficial. O Fernando Meirelles, um dos diretores de "Cidade de Deus", está realmente filmando o "Ensaio sobre a Cegueira", de José Saramago. Salvo engano, é o primeiro Saramago a encarar a telona. Meirelles abriu um blog para documentar o projeto.

Reparou o último link? Blindness... por razõe$ bem conhecida$, o filme será em inglês. Diretor brazuca, trampando com livro publicado originalmente me português... e o filme em inglês. Fico meio triste, mas isso não vai detonar minha vontade de ver a obra. Os atores escalados são muito bons: Gael García Bernal, Juliane Moore, Mark Ruffalo e Danny Glover (!) já estão confirmados. Tirando o Glover (quem não se lembra, é o parceiro do Mel Gibson em Máquina Mortífera), todos os outros são meio "especialistas" em filmes difíceis. Juliane fez "Magnólia". Gael é o favorito dos diretores latinos ("Diários de Motocicleta", "Amores Brutos", "Babel"...). Mark fez o filme pesadão da Meg Ryan ("In the Cut"?) e virou coadjuvante de luxo em blockbusters como "Colateral". Pesadão...

Foto surrupiada de Jim Skea.

"Ensaio sobre a Cegueira" é um dos livros mais "pesados" que já li. História forte, bem amarrada, que no estilo Saramago de escrever nos deixa sem ar. Talvez este seja o grande desafio do Meirelles, que já confessa no blog seu "frio na barriga". O livro tem um ritmo crescente e constante. Quem acha que é fácil esse tipo de transposição, basta ver a porcaria que fizeram com o "Código Da Vinci". Mas não tem nada a ver... o "Ensaio..." não tem ação. Não do tipo 'popular'. Mas é carregado de tensão. Imagina.. de repente, fica todo mundo cego. Você só precisa saber disso.

Lógico, se fosse você eu trataria de ler logo o livro.

24 agosto 2007

Ponto Morto

Tem mais de ano. É sempre a mesma solução. Ligo a máquina, acompanhado d'uma xícara de café e de um Marlboro. Só tem dois "to-dos" na agenda: quero a tarde livre (todas as tardes das sextas eram livres para meu velho). Bate-volta pra Sampa, um futebol bem corrido na noite de ontem. Te deixa meio "comfortably numb", o que aqui em Minas a gente chama de "desnarpado". Na frente da máquina (o computador), minha primeira coisa é escolher a "trilha sonora". Por isso eu falei de "solução" na 2ª frase deste parágrafo meio "desnarpado".

A mesma solução? Qual o problema? Escolher uma trilha para uma sexta "desnarpada". Dezenas de milhares de sons, mais de mil bandas e estilos diferentes. Mas, como eu disse, tem mais de ano que a solução é a mesmíssima: Mojave 3.

Mais precisamente, o disco "Excuses for Travellers", de 2000. Foi o disco que me apresentou a banda, que é inglesa e tem outros 4 trabalhos. Nenhum tem o poder de "forro para um dia desnarpado" do "Excuses..." Ok, a banda é inglesa e dos anos 90. Mas não tem nada a ver com os modelitos que imperam na terra da rainha. Passa longe do papo-cabeça Radiohead (ufa!), do pop reciclado do Coldplay, da estridência de Oasis e Stereophonics. Mais importante, também fica muito distante das fôrmas oitentistas tipo Smiths, Cure, New Order e U2. Ah, também não tem nada a ver com outra banda que curto, o Doves. Ou seja, a rainha conseguiu parir uns súditos meio diferentes.

Mas o som dos caras não tem nada de muito original não. Para um desafisado, parece som da minha querida (e esquecida) Junkyage* - 60's - 70's (pré-lixo a.k.a. pré-punk). Traduzindo: baseia-se em violão, guitarras cruas, slide guitars, pianinho, um gaitinha aqui e uns instrumentos estranhos ali (outros sopros). Vocal preguiçoso, mas bem longe de Luna ou Lou. É preguiçoso mas tem "cola". E as harmonias são bonitas demais. Belas e simples.

O melhor media player do mundo, o Amarok (pronuncia-se "AmA Rok" - haha!, tem uma característica que se chama "mood". Tipo assim: pega o som que você tá escutando e tenta adivinhar seu "estado de espírito". Aí encaixam bobeirinhas tipo: tá triste, tá alegre, tá excitado, tá desesperado! Seria um recurso legal se fosse sacana. Por exemplo: o cara tá escutando "Triste Bahia", do Caetano. Mood: ou o cara tá morto ou tá pra lá de bêbado! hehe..

Então, na sequência sacana, tinha que ter o mood "desnarpado". Para o entendimento dos iletrados, pode chamar de "ponto morto" (ou "idle"). A sensação... como descrever a sensação. Talvez assim:

Você tá num carrão 60 (Mustang ou algo do tipo), e pega um "longo trecho em declive". De forma um tanto irresponsável, você engata o "ponto morto"... arreganha as janelas, sente o cheiro dos eucaliptos e o frio agradável do morro. Pena que não dá pra fechar os olhos... Taí o mood "desnarpado". E se, lá embaixo, tiver uma bela praia ou vale, algo cheio d'água, é sinal que o disco tá acabando. Começou "Bringin' Me Home", a única com o vocal da Rachel Goswell. A viagem sem desculpas (por que é feita sem culpa), termina com "Got my Sunshine".

Sacou o solão que tá lá fora hoje? Que bela e desnarpada sexta!

07 agosto 2007

Cinema Cabeça

Com poucas horas de diferença deixaram a vida terrena dois "gênios" do cinema: Bergman e Antonioni. Até o último domingo tentei ler tudo que publicaram sobre os dois. Do "Mais" da Folha até o Agamenon do Globo. Dois extremos e um denominador comum: o papo-cabeça, também conhecido como "espanta mortais normais".

Há muito tempo, no tempo da locadora "7ª Arte" lá pelos lados da rodoviária, eu vi algumas coisas do Bergman. Não me pegou. Mas também não espantou. Só questão de gosto mesmo. Por exemplo, aprendi por vias tortas que dá pra discutir temas semelhantes vendo uma certa safra do Woody Allen. Woody seria um Bergman para preguiçosos... hehe. Perdão: é tão falso quanto conhecer um livro pelo filme. Você deprecia o original. No próximo inverno, se as locadoras de Varginha deixarem, eu prometo que assisto uns 3 Bergman. Fila: Sétimo Selo, Morangos Silvestres e Fanny & Alexander. Só o último, de 82, eu já vi. Mas não tenho condições de apreciar.

Já de uma parte da obra do Antonioni eu posso falar. A parte que eu chamo de Trilogia do Ácido. Trilogias estão na moda, não? Então, Antonioni fez, entre 66 e 75, uma Trilogia. Sem querer. Tanto que ela não tem rótulo. Alguns podem falar em trilogia do "still haven't found what i'm looking for" (ou trilogia da busca infrutífera). Outros vão falar da trilogia "terra estranha". Estranho numa terra estranha é nome d'outro clássico. Mas também combina com essa safra do Michelangelo.

Saca só o início: Adaptação de um conto argentino (Cortazar), situando-o na Swinging London - a Londres festiva de 1966. O diretor, reparem, é italiano da gema - de Ferrara. Beatles já era Beatles. Stones era droga pura, ou seja, Stones. Mas, para a trilha sonora, Michelangelo convocou um pianista estadunidense: Herbie Hancock, na flor da idade e da criatividade. Herbie sabia o que tava acontecendo em Londres? Lhufas... Para decorar o cenário Antonioni convocou uma bandinha cult, os Yardbirds. Tem Jeff Beck (despedaçando uma guitarra) e Jimmy Page com cara de carrocho que caiu da mudança. "Blow Up" é pop puro! É cultura global antes da invenção da globalização. E é uma busca.

Colaram um papo cabeça na tal da busca. Muitos se chateiam porque "o filme não tem fim". Parece que todo filme-cabeça não tem fim. E fim, para todos letrados em folhetins globais, é item obrigatório! Como aceitar então um filme sem pé nem cabeça? Preconceito... preguiça. Você encontra tudo que busca? E se a apreciação da busca for tudo o que interessa? Mas não vou chateá-los com questões "cabeça".

Liberto da Itália de Visconti e Fellini (hahaha), Antonioni pulou de Londres direto para o vale da morte nos Estados Unidos. "Zabriskie Point" fala (sem dizer) da contra-cultura no novo mundo. Os EUA explodiam com seus hippies, panteras negras, vietnans e tantans. Antonioni colocou Morrison, Janis ou Hendrix na trilha? Não. Na mesma contramão que levou Herbie para o Reino Unido, trouxe Pink Floyd para terras apaches. Outra busca, agora não tão solitária. Outra busca sem fim.

A Bota que atrai é a mesma que chuta. Michelangelo então cai na África e na Espanha. Leva na mochila uma mega-estrela californiana, Jack Nicholson. Joga-o não só numa busca, mas também em um esconderijo. Outra pessoa. Outra vida. Surrupiada d'um defunto. Aqui a trilha é o silêncio. E um tiro. Aqui Michelangelo fecha uma trilogia não programada - que só existe na cabeça d'uns loucos (como este que vos escreve). Aqui (no Brasil), a obra deixou de ser "The Passenger" para virar "Profissão: Repórter". Não é por acaso que o Kubrick, outro saudoso, cuidava inclusive da tradução dos títulos de suas obras. Nevermind... O Passageiro passou... em 75.

Qual foi a pergunta mais comum dos passageiros (repórteres) tupiniquins? O "cinema cabeça" morreu com a morte de Bergman e Antonioni? Hehe... Rio chorando. Quem rotula morre de medo que os rótulos morram. A segunda pergunta? Quem os substitui hoje? Hehe... busca de sobrevida para rótulos. Quem faz esse tipo de pergunta deveria se perguntar: sou substituível? Para quem?

A gente passa. Algumas idéias e obras ficam. As de Antonioni e Bergman estão aí... e ficarão por tempo indeterminado. Curta-as. Não esquenta com o papo cabeça.