Agorinha mesmo o Guz me mandou este link para um post do Torero: hoje é dia do Botonista! Não sabia que a gente tinha um dia. "A gente", tsc tsc...
[Flashback - 1980: Rua Dr Francisco de Oliveira]
Segunda era dia de descer para a casa da Vó. Sexta era dia do pai tomar cerveja. Nos outros três dias ele nos pegava na escola. Mal chegávamos em casa e a mesa da copa se transfigurava. O cachepot (?) e o pano eram jogados de lado. Nascia assim o nosso Maracanã. A mesa era daquelas que escondiam uma extensão. Bastava puxar e levantar dois pedaços de madeira para ganharmos um belo meio de campo com uma cor diferente do resto da mesa. Tá certo que tinha um certo desnível entre as partes, mas nada que atrapalhasse nossos craques.
O Velho escalava o time em questão de segundos. Sempre no esquema 4-3-3. Eu, meio visionário (hehe), tentava colocar dois cabeças de área na esperança de segurar um ataque que tinha Tita (7), Nunes (9 - ou ainda seria o Adão?) e Júlio César (11 - o Uri Geller - entortava todo mundo). E ainda tinha o Zico de ponta de lança!
Apesar da real competição o velho Paulo sempre era muito didático: "Chutando assim vc nunca vai fazer gol". "Daí não é força - é jeito!". Se eu segurasse a palheta fazendo uma paralela com o botão, vish.. "Não aprendeu nada!".
O Velho narrava as partidas, gastando todos os bordões da turma da Rádio Globo da época: "Choveu na horta do Mengão tricampeão!!". Com direito a comentários sobre a arbitragem: "Goooool Le-gal!". Me restava reunir o time e dar uma nova saída. Acontecia umas 20 vezes por tarde. Quando eu apertava um pouquinho a queda era de dez.
Foi assim que aprendi tudo que sei sobre futebol. As regras, táticas e truques. Jogava a bola de verdade na rua e no clube. Mas o futebol de verdade parecia acontecer só na mesa.
[1985 - Rua João U. de Figueiredo]
Com o velho as partidas ficaram mais raras. Uma vez, numa festa de aniversário de um dos 6 filhos rolou um campeonato. Tio Dinho, Tio Renato, Maurício & Mariano. Tio Luiz e tio Hernani? Não lembro. Só lembro que foi um puta torneio. Fui eliminado na 1a fase. Sorte minha: pude acompanhar todos os clássicos. E acrescentar várias outras 'manhas' ao meu repertório.
Virei colecionador. Tinha uns 100 times. Daqueles vagabundos, Gulliver e afins. Me gabava de ter o campeonato paulista completinho. (Explico: já tinha virado corintiano). Tinha até o XV de Jaú, verde e amarelo. O Santo André e o São José! Mas girava o Brasil. Central de Caruaru, Fluminense de Feira de Santana. Adorava os times 'exóticos'. Daqueles que entravam no Brasileirão numa época em que até 40 equipes disputavam a primeira divisão.
Acho que entre 84 e 85 fizemos (a turma do bairro e eu, uns 6 moleques) quase uma centena de campeonatos. Tinha final de semana com dois! Um no sábado outro no domingo. Dois "estrelões" garantiam a realização de rodadas duplas. Meu velho detestava o Estrelão. A gente customizava: placar de papelão, placas de patrocínio e até redinha de filó nas traves. Um luxo!
Que eu aproveitava muito sozinho também. Conseguia fazer partidas históricas defendendo duas equipes. Tentando ser imparcial (faz-me rir...) e narrando todas as partidas. Vez em quando o velho me interrompia para um "amistoso". Agora ele não ganhava tão fácil. Mas criticava muito nossas "novas" regras.
[Hoje]
Minhas últimas partidas foram contra o Guz. Além de umas raras tentativas de fazer o Mateus aprender o jogo. Faz tempo já. Substituímos a mesa e os botões pelo Winning Eleven. Agora dá até pra fazer trancinhas no Carlos Alberto. Tem torcida e locutor "de verdade". E muitas partidas emocionantes. Não vou esquecer nunca um sonoro 6x1 no menguinho do Guz. Show da dupla Tevez e Nilmar.
Mas, da mesma forma que o botão nunca substituiu o prazer da pelada de verdade, no campinho de terra, o computador não deveria substituir o simulador analógico, o jogo de botão. Só ele dá 100% de controle sobre o jogo, não depende do computador decidir se o lateral direito pode subir para apoiar ou não. Na mesa você interpreta melhor seu adversário. Na mesa vc fica cara a cara com o 'inimigo', e não sentado ao lado dele. É mais jogo. E periga ser o mais nobre mesmo, como diz o texto do Torero.
Só é foda pr'eu pq desde que comecei a escrever este post uma musiquinha me martela a memória: "Naquela mesa tá faltando ele..."
14 fevereiro 2006
A Súmula dos Simuladores
13 fevereiro 2006
Scratch #052

Conheça um "mashup" sonoro: Beatles + Beastie Boys = Beastles
Obra do dj BC. Disponível para downloads legais! Cool...
08 fevereiro 2006
Outra China



Ultimamente o nome "China" nos remete a capitalismo selvagem, construções megalomaníacas, hipocrisia do mundo ocidental e alguns produtos bem vagabundos. As belas fotos surrupiadas daqui nos mostram uma outra China. Mais humana?
20 janeiro 2006
Os ETs de Varginha
Há exatos 10 anos, em 20/jan/96, vários fatos estranhos mudariam para sempre a história de minha cidade natal. Era sábado, bonito e ensolarado, após um baita temporal que desabou na noite de sexta. Eu ainda morava aqui (hoje moro de novo, após 8 longos anos em Sampa) e estava, pra variar, na casa de minha ex-noiva. Perto do meio-dia chegou seu irmão caçula falando de um "bicho estranho" visto por três garotas. Não fosse o nada convencional tráfego de veículos militares pelo centro da cidade eu não teria dado muita atenção ao papo.
Até o 'Fantástico' da semana seguinte e a reportagem sobre o 'caso' eu não tinha ouvido o termo 'ET'. Até então era só um "bicho estranho". E confesso que não dei muita atenção ao caso apesar de gostar, desde criança, de Erich Von Däniken, Spielberg e afins. Pô, como eu iria imaginar que o 2º mais importante 'contato imediato' da história aconteceria aqui, tão pertinho? "ET de casa não faz milagre".
Mas esse fez! De repente a minúscula Varginha (então com uns 90mil habitantes) estava na mídia do mundo todo. Experimente buscar por imagens de "Varginha" no Google, por exemplo. Das 20 primeiras, apenas 5 ignoram o ET. Na busca normal, os 4 primeiros resultados são de páginas escritas em inglês. Falando do ET. Garanto que 99% das 488 mil páginas com a palavra "Varginha" só falam disso. Até a Wikipédia tem um artigo sobre o "Varginha Incident".
Não posso garantir que esse bichinho feio e fedorento realmente esteve por aqui. Eu não vi. Mas também não tenho nenhum motivo para desconfiar da história, muito pelo contrário. É um conjunto muito estranho de fatos para ser só uma "mentirinha - uma brincadeira/bobeira de crianças". E não falo só dos fatos exaustivamente narrados pela mídia e pelos trocentos sites que citei. Conheço outros testemunhos de gente que, por vários motivos, não gostariam de "aparecer" com tal história.
Esse é um dos nossos problemas. Não aqueles que optaram pelo silêncio. Falo daqueles que não perderam a chance de "aparecer". Varginha de repente ficou lotada de "oportunitas sem senso de oportunidade".
Explico: se Varginha estivesse em São Paulo (como deseja a Microsoft) - digo, no sentido de ter a "vocação empreendedora" que caracteriza a grande maioria das cidades daquele estado - eu garanto que hoje seria feriado municipal. A semana inteira teria sido de festas, shows, festival de cinema 'Sci-Fi', hotéis abarrotados de ufólogos, festeiros e afins.
Garanto que hoje Varginha teria uns 200 mil habitantes (e não os centos e poucos mil atuais), 25% deles ganhando a vida diretamente com o "ET". Um imenso parque temático (espaço aqui não falta) e uma quase infinita gama de "produtos licenciados" garantiriam um PIB 10x maior que o atual.
Mas não. Nos últimos 10 anos Varginha se deteriorou. O centro da cidade ficou pobre, feio e sujo, apesar da resistência de alguns belos sobrados. Nosso calçadão parece uma versão miniaturizada da 25 de Março em Sampa, perfumado com cheiro de fritura velha. Agora tem briga de gangs na festa de São Sebastião e assaltos a mão armada em plena luz do dia. Varginha empobreceu. Varginha pegou o câncer que condena nossas grandes cidades. Sei que não se trata de um fenômeno local. Mas Varginha, ao contrário de todas suas vizinhas, foi a única a ganhar um presente dos céus! Mas, pelo que eu saiba, nem os espertinhos conseguiram alguma grana decente.
Ainda dá para reverter o quadro. Dada a longevidade de nosso 'incidente', creio até na possibilidade de ainda aprendermos a tirar proveito dele. Mas parece que é mais fácil acreditar no ET do que em tais possibilidades.
